Política do Espírito Santo

Será que Marcos do Val é a reinvenção do espetáculo?

O Senador eleito Marcos do Val gostou de fazer campanha. Gostou tanto, que não parou até agora. Pode ser que faça um mandato excepcional. Mas se a escolha se revelar errada, a oportunidade de correção, em condições normais, só se dará em 2026. Eis aí uma das maiores aberrações do nosso sistema político e eleitoral, o mandato de senador de oito anos.

Beneficiado pelo “troca tudo” que caracterizou a disputa ao Senado no Espírito Santo, o instrutor Marcos do Val saiu da lanterna da disputa para defenestrar Ricardo Ferraço. O sentimento que se espalhou em rejeição ao picadeirístico Magno Malta (que segue na sala de Bolsonaro!) contaminou outras candidaturas. Sobrou para Ricardo Ferraço.

Ricardo rodou por uma combinação de fatores. Primeiro pela traição do gigante de Guaçuí; segundo, porque os disparos dirigidos a Magno Malta ricochetearam em Ricardo. Se a excelência não era a melhor definição para a atuação de Ricardo Ferraço no Senado, considerar sua atuação como trágica requer boa dose de ignorância.

Entretanto, a ideia difusa, que ganhou forma, visava  ao inimitável Magno Malta. O movimento foi tão forte, que também varreu Ricardo, embora no início da disputa as pesquisas apontassem uma folgada liderança de Magno Malta. Fato é que Ricardo se foi. E Magno também. Para Ricardo resta abraçar, não mais o Paulo, que nunca lhe quis de verdade, mas o Casagrande, que não conseguirá abraçar todos os órfãos de Paulo. Faltarão braços para Casagrande!

Marcos do Val, cujas ideias são tão conhecidas quanto os cabelos do eterno Esperidião Amim, deverá dizer a que veio. Vejo o senador eleito permanentemente compartilhando notícias de horrores, como se os capixabas dependesse de tal generosidade para serem informados.

Isso não respeita a grandeza do senado que o espera. Quem votou em Marcos do Val talvez deseje saber o que ele pensa sobre reforma tributária, reforma previdenciária, educação e segurança pública, por exemplo. Afinal, essa coisa de buscar parecer uma espécie de Arnold Schwarzenegger dos trópicos poderá resvalar num ridículo!

No segundo turno, entre Haddad e o Homo Sapiens, Marcos do Val escondeu-se sobre um muro com uma ligeireza de causar inveja em Hartung. Nem toda troca é positiva. Nem toda mudança transforma. 

Portanto, tudo que os capixabas provavelmente não querem talvez seja uma versão cinematográfica de Magno Malta. Nesse caso, ouso dizer que um bom circo ainda vale mais que um cinema de péssimos atores!

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