A ida de Belchior para mim é emblemática. Trata-se de um dos grandes que há muitos anos aprendi a admirar. Pouco será lembrado. Isso apenas confirma sua importância, seu talento. O Brasil que aplaude um tal “Sapão” num domingo à tarde nada tem a falar sobre Belchior.

Quando resolveu se recolher num silêncio obsequioso, vi uma demonstração de péssimo gosto a sugerir que se tratava de um cantor que “para aparecer teve que sumir”. Não, cara pálida! Belchior é um gigante da interpretação e da composição.

Sua ida me toca muito por ter nascido na minha amável região Nordeste. Ele é cearense. Nasci ao lado, no Piauí. Autor de “Como nossos Pais”, imortalizada na voz de Elis Regina. Isso já seria o suficiente para dispensar apresentações.

A partida de Belchior me choca também porque minha lista dos que leio e ouço tem mais mortos que vivos.

Portanto, na arte, na literatura e no pensamento, prefiro os mortos. Belchior, agora passa a aumentar uma lista da qual não tenho qualquer orgulho. Infelizmente, ele me dá razão! “Esquadros” é apenas um exemplo!

 

Por Maurício Reis de Sousa