Depois de defenestrar Orlando Silva do Ministério do Esporte, Dilma Rousseff optou por uma solução , digamos, “pecedobedista” para a Pasta. Objetivamente a atitude traz em si gestos em tudo habilidosos. Sigamos.

Ao manter um “pecedobedista” no Ministério, Dilma acredita que há no partido alguém capaz de fazer o que Orlando Silva não fez e, o que é mais importante, desfazer o que ele fez. Dessa forma, atribuindo ao PCdoB uma importância política que ele não tem, torna menos complicada a vida do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, aparentemente o iniciador do Comunismo de Cabaré na pasta do Esporte, quando o então Secretário-executivo da pasta, Orlando Silva, era apenas um talentoso aprendiz.

Agnelo saiu do PCdoB. Foi para o PT e virou governador do Distrito Federal. Mas sabe que não pode virar as costas para a companheirada. Muito menos para Orlando Silva. Enquanto Orlando Silva se cala, Agnelo se segura no governo do Distrito Federal. Pobre Agnelo. Ele começa a perceber que o silêncio de Orlando Silva é insuficiente para lhe garantir a paz. Outros começam a falar. A expressão facial das declarações de Agnelo oscilam entre a inocência fingida e o pasmo. Adiante.

Guimarães Rosa, um gigante no panteão da nossa literatura, já iluminou muito o caminho para se tentar a compreender melhor a pedagogia da corrupção brasileira. O escritor apontava que “mestre não é quem ensina, mas quem de repente aprende”. Assim, transpondo o sentido da frase da literatura para o submundo do oficialismo político, podemos compreender melhor a pedagogia da corrupção. Orlando Silva revelou-se um mestre na arte de malfeitorias. A “saída companheira” que Dilma encontrou ainda vai dar muito o que falar. Mas escolher Aldo Rebelo pode dar menos o que falar.

Homem de uma trajetória merecedora de aplausos, Aldo Rebelo conjuga hábitos simples e uma visão republicana própria de quem debulha livros. Em vez de se submeter a treinamentos da marquetagem, decorando frases-feitas, citando poetas que não leu,  prefere refletir e ser original, verdadeiro e sincero. Filho de um vaqueiro do sertão alagoano, Aldo poderia ter crescido mais na política se usasse o passado sofrido, tentando elevá-lo à condição de virtude política. Nada disso. Preferiu ler. E acertou. Quando não conhece um tema vai estudar. Atividade que ofende a maioria dos nossos políticos ou postulantes.

Aldo tem o dom da paciência. Com ela já comprou briga com graúdos do Brasil. Posso discordar de sua luta em defesa do português brasileiro. Mas, sustento, só pode defender a língua portuguesa quem a estuda. E ele a estuda!

Seu socialismo, tão distante quanto desnecessário, não será problema. Ele já foi ministro. Não pôs interesses partidários acima das questões de Estado. Não é muito, mas é o suficiente para fazer de Aldo Rebelo uma espécie rara na lagoa da política brasileira. É como ensina o poeta português Manuel Alegril: “Há sempre uma candeia dentro da própria desgraça…” .

Sim. Aldo Rebelo hoje é esta candeia catapultada da Câmara Federal para o Ministério do Esporte, para ajudar a iluminar um pouco mais os interesses do “onguismo de estado” e reduzir o espaço para Ricardo Teixeira, de quem é histórico desafeto. É certo que se houver novas denúncias no Ministério do Esporte, Aldo  não será o alvo. Ele não se guia pela moral companheira. Tem uma biografia a preservar e, pricipalmente, sabe a diferença entre Estado, Partido e Sociedade.

 Sucesso, Ministro!

 

Por Maurício Reis de Sousa