Segurança Pública

A PMES, a Creche e Casagrande!

Conhecido por sua sintonia com quaisquer ideias que habitem o Palácio Anchieta, o ex-Jornal A GAZETA trouxe neste domingo, dia 13, uma opinião que dialoga com as reflexões mais urgentes nestes tempos de início de governo no Espírito Santo. Trata-se de uma abordagem sobre uma questão que exige um olhar em perspectiva de estado, não apenas de governo.

Escrito em parceria entre o ex-secretário de Segurança Pública do primeiro governo de Casagrande Henrique Herkenhoff e a Professora Luciana Herkenhoff, o texto faz uma observação nevrálgica sobre o quadro da Polícia Militar do Espírito Santo.

Com uma pitada de ciência, os autores apontam um paralelo entre o silêncio que se estabeleceu entre policiais a partir de fevereiro de 2017 e uma situação analisada por René Spitz, que estudou a situação dos orfanatos. Em síntese, a adesão ao silêncio não significa necessariamente a aceitação pacífica daquilo que é imposto. Pode ser até um agravamento do quadro. A referência dos autores é perfeita.

Sim. Pode ser que a dor esteja se manifestando de outra forma. Desta feita estendida ao âmbito do tecido familiar de policias e seus parentes.

Leio o artigo dos respeitáveis autores e em seguida recebo a informação de que um policial com quem trabalhei foi a óbito depois de haver atentado contra a própria vida no final de dezembro último.

Recolho-me em condolências no silêncio respeitoso que a partida de um ser humano querido sempre impõe. Mas as asas da minha solidária imaginação teimam em voar à procura de explicação. Não para um caso em particular. Mas para a somatória dos episódios que fazem da PM capixaba uma campeã em suicídios.

Qual é o plano de Casagrande para a Polícia Militar? Que canais de diálogo ele pretende abrir?

Decisões partidas de bajuladores de plantão, tomadas às escondidas, que não vislumbrem a centralidade do problema, podem ter efeito contraproducente.

Portanto, pode-se fazer especulação de todo tipo. Este observador tem as suas. Nem todas cabem aqui. Mas o governo que chega ao Palácio Anchieta carrega consigo a responsabilidade intransferível de abrir com a sociedade capixaba e brasileira um debate fraterno e republicano sobre o que realmente está acontecendo com a PMES. A escolha de um Comandante respeitado e até carismático é simbólica. Mas a gravidade da situação sugere abordagens de outra natureza. Não há evidências claras de que Casagrande esteja fazendo um bom diagnóstico!

  1. Wanderson

    Importante explanação Maurício

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