Educação

A Universidade Estadual, o engodo, o metrô de superfície, a próxima eleição e o que interessa de verdade: a próxima geração!

É próprio da natureza de certos debates públicos a tentativa de separar os indivíduos entre “bons” e “maus”, dependendo da opção que se faça num tema considerado relevante.

Assim, os “bons”, mesmo quando minorias, impõem uma agenda de tal sorte influente, que discordar deles soa como heresia, dado o verniz republicano que a agenda tenta ostentar. Não raro, essa ornamentação esconde certo proselitismo.

No Espírito Santo, esse ambiente de ideias fez surgir o debate sobre a criação de uma universidade estadual, ou, como queiram, instituição estadual ensino superior. Ninguém, em sã consciência, pode ser contra uma proposta tão nobre quanto essa.

Principalmente neste pedaço de chão brasileiro que se caracteriza tanto pelo déficit educacional quanto por certo acanhamento em relação aos vizinhos, que quase desconsideram nossa existência.

O argumento principal de que se valem os defensores de tal proposta é que o Espírito Santo faz parte de um pequeno grupo de estados da federação que não têm universidade estadual. Trata-se de um pseudo-argumento.

Ele não diz nada sobre os desafios que estão postos diante de nós, não se destina a desatar o nó que nos amarra a um passado que teima em ser presente: a má qualidade do ensino fundamental e médio públicos do Espírito Santo. Reside aí o principal gargalo educacional capixaba.

Isso impede nossos jovens de estar em condições de igualdade nas disputas pelas vagas tanto na Universidade Federal (UFES) quanto em concursos públicos de nível médio, obrigando-os a atravessar o “deserto do decoreba”, os pré-vestibulares, que revelam o endereço da nossa miséria educacional.

Justiça se lhe faça: o secretário de educação do Estado, professor Klinger Barbosa, com o conhecimento e educação que dignificam o cargo, tem dado reiteradas declarações em defesa da expansão e melhoria do ensino médio. Não poderia ser diferente.

Com tantos jovens fora do ensino médio das escolas públicas capixabas e com uma qualidade (ainda) sofrível desse mesmo ensino – atestada pelos mecanismos mais respeitáveis de avaliação -, a defesa de uma universidade estadual hoje soa como um sonho bonito.

Mas talvez seja preciso espantar os fantasmas que ainda impedem nossos jovens do ensino fundamental e médio de permanecerem nas unidades de ensino e assimilar verdadeiramente os conteúdos dessa fase escolar. Isso lhes abrirá a porta para o futuro, com ingresso garantido no mundo do trabalho.

Aliás, nem todos desejam chegar à universidade. Mas os tantos que ficarem pelo caminho têm direito a assimilar bem aquilo que lhes foi ensinado. Quando ensinado!

Numa pesquisa (divulgada ainda em 2009) o IPEA já apontava que somente metade dos jovens brasileiros de 15 a 17 anos frequentava o ensino médio na idade adequada. E 44% ainda não haviam concluído nem o ensino  fundamental. De lá até aqui não houve mudança substancial nem no Brasil nem no Espírito Santo.

Certo de que o foco é mesmo outro, acertadamente o governo do Estado acaba de criar o Projeto “Educar e Aprender”, para ajudar nossos jovens a recuperar parte do conhecimento perdido nas repetências.

Portanto, nesse cenário,  querer criar universidade estadual é um engodo. É coisa de político que pensa mais na próxima eleição que na próxima geração. É uma megalomania, cujo paralelo talvez seja o metrô de superfície. Não é de uma universidade estadual que o Espírito Santo precisa para fazer a educação pública capixaba entrar nos trilhos.

 Por Maurício Reis de Sousa

2 Comentários

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