Segurança Pública

A anistia aos militares capixabas é a junção de coragem com inteligência política!

Anistia não é brincadeira. Anistia é um expediente raro a que a sociedade recorre quando as circunstâncias não vislumbram possibilidades mais claras de repactuar relações esgarçadas por algum evento histórico mal sucedido. Anistia não nega responsabilidades. Mas, em vez de se procurar culpado, desenha-se o futuro, que tem como pressuposto o perdão. É disso que se trata no caso do projeto proposto pelo governador Renato Casagrande. Eis um ato de coragem em nome do futuro de todos os capixabas.  

Curiosamente, o subjornalismo de pena paga, que vive de ciceronear o poder, atacou a atitude do governador. Não poderia ser diferente. O ex-jornal  A GAZETA nunca escondeu em suas narrativas o ranço anti polícia. Ou seja, gosta do poder, mas não gosta de polícia.  Assim, se um governador não faz da PM seu saco de pancadas, ele tende a ser alvo do colunismo rastaquera, de um grupo que se apequena ante o futuro que se desenha. O ranço de certas linhagens do jornalismo contra a polícia remete a uma leitura canhota sobre o Regime Militar de 64, fantasma que assombra certas redações desinformadas do jornalismo brasileiro.

Volto. Durante o triste fevereiro de 2017, a tentativa de associar policiais a atos criminosos ficou evidente em vários casos. Para corroborar as especulações, o ex-jornal contou com algumas declarações de medalhões do governo que se foi. Mas, para a tristeza de certas franjas do subjornalismo, até hoje não se registrou envolvimento de militares nos referidos episódios. Entretanto,  ex-jornal  A GAZETA segue na sua saga anti polícia.

A contradição bisonha protagonizada pelo ex-jornal fica flagrante a qualquer juízo ginasial, visto que a mesma empresa que tenta responsabilizar a PMES pelos crimes ocorridos em fevereiro de 2017 é a mesma que se cala quando deveria reconhecer o papel fundamental da centenária instituição na melhor série histórica de redução de homicídios em mais de 20 anos. Isso é qualquer coisa. Menos jornalismo!

Evidencia-se na presente hipótese um descompasso com um sentimento que ganha força na sociedade brasileira, aquele segundo o qual a polícia não é inimiga da sociedade; é uma aliada, garantidora da ordem e da própria liberdade de imprensa, da qual o ex-jornal faz uso tão constrangedor.  

A anistia que o governador Renato Casagrande propõe não é condescendente com crimes, transgressões constatadas ou apenas supostamente cometidas.  Ao contrário. O acolhimento da anistia tem duas consequências nobres que se completam. De um lado, estabelece um marco zero num drama cuja origem tem graves responsabilidades do governo anterior, cuja arrogância parecia monopolizar a razão. Por isso, ao desistir de liderar a construção do entendimento que as circunstâncias à época exigiam, o ex-governador desertou de suas intransferíveis responsabilidades de liderança.

Por outro lado, ao defender a anistia, Renato Casagrande conquista uma legitimidade política que lhe permite resgatar o rigor no cumprimento das regras basilares da PMES, ou seja, disciplina e hierarquia, sem as quais o edifício institucional desmorona. Assim, o governador pode repactuar as relações do governo com a Polícia e desta com a sociedade. Todos saem ganhando!

O governador está se comportando como um regente. Por isso mesmo deve ter coragem de retirar da orquestra aqueles que, daqui para frente, saírem do tom. Evidente que uma pauta emergencial se impõe no trato com a PMES. Mas o governo Casagrande começa pelo óbvio, cuidando das feridas expostas. 

Por fim, observa-se ainda uma voz solitária contestando o gesto do governador. Trata-se de uma voz velha, que deveria abrigar-se no silêncio como forma de demonstrar o mínimo de civilidade política. Ele não sabe o que é isso. Mas os policiais sabem de quem se trata. Os policias sabem que os ruídos que emanam de onde deveria haver silêncio são apenas os escombros do entulho que chafurda a própria insignificância. São os que não se conformam por estarem a caminho do merecido esquecimento. Felizmente, esse esquecimento também será garantido pela anistia.

 Parabéns, Casagrande!

 

 

 

 

 

 

 

2 Comments

  1. Josimar Braga

    Excelente texto… a alma chega a arrepiar… Deus é bom a todo momento!

  2. Leôni Marcos Marinho Costa

    Hummmm …. Oxalá eu tivesse está incrível habilidade de externa tudo que está guase em erupção no meu franzino peito com a mesma maestria deste artista dos textos inquestionáveis.
    Parabéns MAURICIO SOUZA.
    Um cara que consegue enxergar debaixo desta montanha de entulho o Valor dos praças da PMES ( inclusive gualificando um ícone chamado Subtenente Braga do 6° BPM…amo este garoto…pela história de vida e profissionalismo), sempre merecerá meu respeito.
    Maurício estou esperando o lançamento de seu Livro ( se já lançou me passar o cardápio).
    Abraços,
    Subtenente Leôni.

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