Política do Espírito Santo

A Arca de Noé, a de Hartung e o Naufrágio à vista!

Uma das passagens bíblicas mais emocionantes encontra-se no Velho Testamento, a Passagem de Noé. Homem de fé, ele atendeu a um chamado Divino e construiu uma Arca que, após um longo dilúvio, garantiu a preservação de todos os bichos que aquele servo pôs na Arca. Noé era Homem obediente. E depois de quarenta dias de intensa chuva, todos chegaram à terra firme. Sim, da Arca de Noé todos os bichos sobreviveram. Eis a passagem bíblica tomada aqui como metáfora.

Existe na política capixaba a Arca de Hartung. Nela há lugar para todos os bichos políticos. Mas nem todos chegam à terra prometida. Não há espaço para todos. Noé, ou melhor, Hartung, decide quem vive e quem morre para que ele mesmo continue guiando os destinos da bicharada. Alguns  dos que obtiveram bom desempenho político ao longo da vida política tiveram que desembarcar em algum momento da trajetória.

Luciano Rezende, por exemplo, não é bicho originalmente da Arca de Hartung. Mas durante muito tempo navegou nela. Saiu em tempo de construir uma simples canoa. Bem feita e consistente, a canoa de Luciano o levou à Prefeitura da capital capixaba, de onde Hartung tentou politicamente defenestrá-lo, para em seu lugar colocar o garçom de cadáveres, em 2016.

O mesmo garçom, que serve cadáveres ao meio dia, achou que pudesse ser o nome de Hartung ao Senado. Talvez não ache mais. Afinal, abandonar Ricardo Ferraço não é bom sinal de inteligência!

Luiz Paulo Vellozo Lucas, por sua vez, entrou na Arca de Hartung logo no início. Foi prefeito duas vezes da capital. Achou que pudesse ir mais longe. Apenas achou. Luiz Paulo tem chance de renascer politicamente agora. Para isso vai depender de sua coragem de ser oposição não apenas na aparência, mas na essência. Pode, por exemplo, ser um ótimo vice para Casagrande.

Sérgio Vidigal, que nunca pôs os pés na Arca de Hartung, estranhamente começa a se assanhar para nela embarcar. Deveria observar que Ricardo Ferraço está na iminência de ficar sem mandato. E não é por falta de lealdade a Hartung.

Mas, dado o estado das coisas da política capixaba, Hartung segue muito forte. Depois de uma longa peregrinação em que se ofereceu para ser vice de todo mundo, sem ser aceito, Hartung volta ao seu tamanho de origem: gigante na Política capixaba e inexpressivo na política nacional. Eis a razão do desespero do nosso Luiz XIV pós-moderno. Resta-lhe preservar seu pequeno reinado, já que pelo Brasil os súditos já têm seus monarcas de estimação.

A imprensa tradicional, que sempre se ajoelhou diante dele, já começa a exercitar seu “talento”. Por outro lado, há um território da comunicação que não se curva às ordens palacianas: as redes sociais!

É aí que reside a força da oposição.  Sem as redes sociais o deputado Sérgio Majeski jamais seria um dos fortes concorrentes ao Senado Federal. Seu mandato conseguiu ser destaque não apenas pela qualidade de sua atuação. Além dela, sua coragem para dialogar permanentemente com a sociedade civil é própria daqueles bichos que não nasceram na Arca de Hartung.

Sem as redes sociais Sérgio Majeski não existira enquanto tal. O voto em Majeski não é apenas uma demonstração de apreço à sua atuação parlamentar, é também uma aposta na política enquanto ciência capaz de governar os povos, uma aposta na possibilidade de mediação democrática do conflito.

Assim, o voto em Majeski já não é apenas expressão de um direito, tornou-se um dever ético, um imperativo moral. Se começar a incorporar as graves contradições da segurança pública capixaba ao seu discurso, Majeski ampliará seu potencial de crescimento.

O governo que caminha para o fim não consegue nem mesmo organizar um concurso para soldados. Nem o adeus do André parece ajudar!

Sim, fora da Arca de Hartung existe vida política. Na Arca de Hartung muitos já morreram e foram lançados ao mar em pleno dilúvio. Remar contra esta maré não é tarefa para os fracos. É coisa pra Rose de Freitas, Max Filho, Casagrande, Majeski, Luciano Rezende e Theodorico Ferraço. Se eles, juntos, mobilizarem a maioria dos capixabas, os bichos mais desconfiados podem mudar de lado, ou melhor, de arca! Se no campo da oposição ainda puderem contar com Magno Malta, melhor!

Resta evidente que, diferentemente da Arca de Noé, a de Hartung pode estar a caminho do naufrágio. Este naufrágio, por sua vez, não trará mortes. Trará alternância de poder, renascimento do diálogo e, provavelmente, um novo olhar sobre os dramas coletivos capixabas. Enfim, trará vida a todos os bichos. Ou seja, poderemos ter uma fauna política um pouco mais diversa! Vai depender dos capixabas!

 

4 Comentários

  1. Jose renato amorim

    Governo pior do que esse do PH eu espero nunca mais ver.

  2. Rafael campista

    Ainda fico com os pés atrás no caso de rose de Freitas e max filho! Estamos vivendo um período complicado onde os peixes rêmora já acostumados e acomodados estão procurando outro par e estão aparecendo muitos falsos profetas e defensores da sociedade!

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