Política

As “peças” de cada léxico, a Democracia, a Vida e a Morte!

A palavra “peça” é um substantivo feminino. Nesta acepção, trata-se, segundo qualquer dicionário pouco exigente, de uma parte de um conjunto, de algo que forma um todo. Assim sendo, podemos dizer que a palavra peça pode ser um pedaço, uma fração, uma porção. Talvez um bocado. Não apenas isso. Uma peça pode ser também uma parcela, um elemento. Uma peça pode ser simplesmente um componente.

Mas a língua é dinâmica. A língua segue seu curso. Por isso, não se prende a regras normativas. Dessa maneira, uma “peça” pode ser uma simples unidade, um torrão. Uma peça pode ser até algo indispensável ao funcionamento de uma engrenagem. Embora haja engrenagens que tentem menosprezar as “peças”.

Não é apenas isso. A palavra “peça” pode ser até verbo. Nesse caso, indica uma ordem, a evocar o modo imperativo afirmativo, ou seja, “peça você”. Ora, mas “peça”, enquanto verbo, não tem graça! Chega até a traduzir humildade, a despeito da ordem.

“Peça” interessante tem que ser substantivo, inevitavelmente feminino. Mas como é mágica a chamada “inculta e bela” língua portuguesa. Ela atravessa formas e sentidos. Entre criminosos de periferia, “peça” pode ser uma arma ilegalmente adquirida. Além disso, uma “peça”, acompanhada de um adjetivo, pode ser até mesmo uma “peça rara”.

Sim, uma “peça” também pode ser artística. Afinal, quem não gosta de uma boa “peça de teatro”? Podemos ir um pouco mais longe. Porque a arte que cria “peças” também pode ser nome de filme, com gracejo às maravilhosas mães, como no filme Minha mãe é uma peça.

Sim, “peça” pode ser tudo. “Peça” pode ser nada! Na “Nova fala” do Clássico livro “1984”, de George Orwell, as pessoas são chamadas de “camaradas”, e só quem estranha é um indivíduo chamado Winston, porque a consciência individual já se mostrava em extinção. Sim, na obra, que traduz um regime autoritário e vigilante, os indivíduos comportam-se como “bando”. Lamentavelmente.

“Peça” pode ser “muito”. Mas não chega a ser “tudo”. Enquanto parte das metáforas do mundo político, há até as chamadas “Peças do xadrez”, a indicarem as boas (ou más) estratégias.  “Peça” tem sentido nobre ou tom de menoscabo. Depende da consciência de quem usa e do contexto.

Nas Democracias, as pessoas em suas distintas ocupações são chamadas pelos nomes ou ofícios delas. Assim, existe o médico, o engenheiro, o gari, o professor, o pedreiro, o padeiro. Fico feliz por nunca ter ouvido, na democracia do meu país, as pessoas serem chamadas de “peças”. Afinal, as palavras têm poder. Sim, poder de vida e morte.  E quando se começa a negar a condição humana das pessoas fere-se de morte a democracia, enquanto aposta política. Ainda bem que não chegamos a tal ponto. 

Por fim, como diriam Os Tribalistas, “passam pássaros e aviões”. Verdade. Mas que nunca passe a ideia de nos referirmos uns aos outros em termos humanamente aceitáveis!  

 

5 Comentários

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    Excelente texto.

  2. Leticia Lugão

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