Do ponto de vista político, o importante sobre os meios de comunicação é o comportamento que, em geral, os grupos adotam em relação a governos.

Assim, o que interessa mesmo é que grau de independência, e por isso, de vigilância existe em relação às ações de governo e àqueles temas circunjacentes à vida pública. No Brasil, imprensa livre mesmo ainda parece ser um sonho distante. Na maioria dos casos, o que se vê por estas bandas é uma imprensa que se alinha aos governos ou conspira clandestinamente em favor de quem deseja substituir o poder de plantão.

Fora isso, há um grupo que também pode se orgulhar de não ser menos danoso ao interesse pátrio. Sim. Falo dos que se juntam em favor do silêncio cúmplice, apenas denunciando aqui e ali algum episódio desses de previsível desenlace na novelização dos escândalos da vida política brasileira.

Assim, num ambiente de vigência das liberdades democráticas como o nosso, é possível dividir a imprensa entre aquilo que certos grupos consideram ou não digno, digamos, de cobertura jornalística. Adiante.

Por que falo isso? Porque gostaria de saber até onde vai a disposição da Rede Globo e similares em fingir que o atual presidente da CBF, Ricardo Teixeira, não tem qualquer culpa entre tantas acusações que lhe são imputadas. Que interesses existem, meu Deus!, cuja profundidade impede a maioria da imprensa brasileira de vir revelar a trapaça de um inglês, que de forma vã atenta contra a  conduta de um homem como Ricardo Teixeira?

Será que não haverá respostas ao subjornalismo ressentido da Record, cuja motivação mais imediata é tão somente o fato de não ter conseguido os direitos de transmissão do campeonato brasileiro? É provável que em qualquer lugar do mundo democrático algum veículo já tivesse encontrado meios de revelar a perseguição a um homem cujo defeito maior parece ser apenas sua longevidade no poder de uma entidade bilionária. É claro que estou brincando!

Quem leu a REVISTA PIAUÍ de julho sabe bem do que estou falando. Numa brilhante matéria assinada por Daniela Pinheiro, conhecemos um pouco mais o dono da CBF, seus desafetos e sua falta de sofisticação, a despeito das enormes possibilidades que teve de ser menos bruto. As expressões impublicáveis de que o senhor faz uso constrangem até aquelas  pobres vítimas do alcoolismo, que se juntam nas esquinas à espera da próxima gorjeta para pagar a próxima “pinga” e assim também ficar mais próximos do túmulo!

Para Teixeira, ao contrário da maioria dos brasileiros, o futebol é apenas um NEGÓCIO. Com uma gramática de esgoto, ele tripudia das acusações que recebe, cospe na imprensa e reafirma sua disposição para o mal: “Em 2014, posso fazer a maldade que for. A maldade mais elástica, mais impensável, mais maquiavélica. Não dar credencial, proibir acesso, mudar horário de jogo. E sabe o que vai acontecer? Nada. Sabe por quê. Porque eu saio em 2015. E aí acabou” .

Ricardo Teixeira é no mundo estritamente dos negócios  o que o Sarney representa no mundo da política. Um autêntico represente do Brasil velho, da camarilha, do Brasil que não pode ser herança para as próximas gerações.

 

 Por Maurício Reis de Sousa