Política Nacional

Bolsonaro e o Brasil que se pretende honesto!

O Brasil elegeu Bolsonaro. As caras de nojinho e os ataques grosseiros não bastaram. Agora se aproxima a posse do novo Presidente. É sabido que, atipicamente, a eleição que consagrou o Homo Sapiens vencedor foi a eleição do “contra”. Por outro lado, foi também a eleição a favor do Brasil “contra a corrupção”, seja lá o que isso signifique.

Impossível supor que um presidente mude completamente um país. Imaginar que a partir de 1º de janeiro o Brasil será catapultado ao time dos países notáveis em honestidade é apenas a junção da inocência com a deserção das responsabilidades de cada cidadão. Mas podemos deixar para nossos filhos um país bem melhor que este que nossos pais puderam nos oferecer, a despeito dos esforços deles.

Se a ideia é mudar o Brasil, talvez seja o caso de esperarmos menos do presidente e oferecermos mais de nós mesmos. Um Brasil honesto é trabalho de gerações. Podemos começar junto com o governo que se pretende defensor de tão nobre valor civilizatório. Nesse caso, podemos a partir de 1º de janeiro:

Cortar aquele “gato de energia” que dilui o valor da “energia roubada” entre os demais consumidores;

Pagar aquele amigo a quem devemos e fingimos não dever supondo que ele se esqueceu;

Pagar por todas as refeições que nos são oferecidas enquanto exercemos alguma atividade pública. Afinal, não existe almoço grátis;

Não oferecer dinheiro ou qualquer benefício quando flagrado pelo guarda de trânsito em prática de crime ou infração de trânsito;

Não furar a fila no terminal de ônibus; afinal, quando furamos uma fila alguém que estava nela irá em pé;

Cumprir no serviço público a carga horária determinada e procurar exercer bem a função;

Denunciar todo servidor corrupto de cuja prática você tomar conhecimento;

Sim. A lista é imensa. Eis aqui apenas pontos que, ao juízo deste observador, sinalizam uma mudança de postura capaz de traduzir  uma auto responsabilização, em vez do exagero das expectativas sobre o governo.  

Está claro que governos não mudam pessoas. Mas boas ações cotidianas são sementes capazes de fazer germinar bons governos. Como bem disse Leandro Karnal, “não existe país com governo corrupto e população honesta”. Ou seja, a desonestidade do governo tende a expressar a desonestidade de quem o elegeu. Assim, nosso nível de honestidade é fundamental para o governo que elegemos. O alagoano Teotônio Vilela, a respeito das expectativas frustradas em relação aos governos, dizia que “o barro é esse”, isto é, não existe milagre.

Assim sendo, a qualidade do barro brasileiro produz a qualidade dos políticos que temos. O barro somos nós. Para o resultado ser diferente, é preciso que no dia a dia sejamos diferentes. Podemos começar junto com o novo governo!

 

 

 

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