Caros leitores,

Existem peculiaridades que distinguem o Espírito Santo do restante do Brasil. Refiro-me, evidentemente, às práticas políticas. Traços profundamente provincianos dão o tom e o ritmo da dança eleitoral.

Em nenhum outro estado da federação houve a divulgação de apenas uma pesquisa – em abril, com empate técnico entre Hartung e Casagrande –, apenas no Espírito Santo.

Isso não significa que as pesquisas não estejam sendo feitas. O mais provável, entretanto, é que determinados institutos estejam imaginando que o gigante de Guaçuí vá melhorar sua performance nos próximos levantamentos.

Não acredito. Fontes, que devem ser preservadas, garantem que o ex-governador Renato Casagrande já estaria com cerca de 10 pontos à frente do gigante.

Talvez por isso mesmo haja uma tentativa de mostrar uma “agenda positiva”. Mas que agenda? Não se sabe exatamente. Quem anda pelas ruas, pela universidade e pelos espaços de prestação de serviço público percebe uma clara fadiga com o jeito PH de governar. Sem falar nos equívocos de interpretação da crise da segurança pública em 2017, cujos rebatimentos estarão no centro do debate sucessório este ano.

Além disso, o quadro partidário se mostra absolutamente hostil à possibilidade de aliança com o gigante, enquanto as principais lideranças parecem apenas aguardar o início do jogo para se declararem oposição. Os prefeitos do interior do estado, que em 2014 assinaram manifesto de apoio a Casagrande e o traíram, agora percebem que a troca não foi bom negócio. Jamais assinariam um manifesto de apoio a PH. Mesmo que fosse de mentira!  

Casagrande está longe de ser uma Brastemp, como todo mundo sabe. Mas numa grave crise de segurança pública, como a vivida em 2017, certamente iria se reunir com os representantes das categorias e buscar uma trégua imediata, até que a questão substantiva fosse identificada. Jamais deixaria sob responsabilidade de alguém como André Garcia a condução da crise.

Até porque as declarações de Garcia constituíram graves ofensas aos policiais militares capixabas, agravadas pela incapacidade de o pernambucano pedir desculpas quando suas hipóteses se revelaram erradas. Ele ainda quer ser deputado!

Portanto, você, leitor atento, acha que se as pesquisas estivessem mostrando liderança do gigante de Guaçuí, elas não estariam nas capas de domingo dos jornais capixabas? Mas não há possibilidade de esconder o cenário eleitoral por muito mais tempo. Afinal, institutos nacionais estão imunes aos cantos palacianos capixabas. Sim, Hartung é um passado que não quer passar. Mas as eleições já são o futuro do presente.