Política do Espírito Santo, Segurança Pública

Coronel Barreto, o pacificador!

O governador eleito Renato Casagrande fez um gol. Ao escolher o Coronel Barreto para Comandante Geral da PMES, o governador reafirma sua preocupação em repactuar as relações na instituição. Destaca, com clareza, a necessidade de se olhar para frente, o que significa operar para a cicatrização das feridas, que ficaram expostas, sangraram e causaram exclusões. Reconciliar as relações internas e reafirmar seu compromisso com a sociedade capixaba em bases claras fazem parte dos desafios que estão diante do novo comandante da PMES.

Mas não é só isso. A PMES precisa ter critérios rigorosos de ingresso, valorizar o conhecimento, apostando na formação continuada, e seguir intransigente com criminosos fardados eventualmente identificados. Mas precisa reconhecer também que não há qualquer razoabilidade em o Espírito Santo ter a PM mais mal paga do Brasil. É um escárnio. É uma humilhação.

Devolver a possibilidade de ascensão por intermédio de prova é fundamental. Afinal, retirar a prova à graduação de Cabo foi uma negação daquilo que se dizia defender. Não há mérito quando se extingue uma prova que o aferia. Nesse particular, buscou-se em retrospecto uma nota de curso de formação, que passou a ser considerada mérito, sem que isso tenha sido sequer ventilado quando houve o referido curso. É uma jabuticaba capixaba!

Ademais, a tentativa de fazer parecer que Oficiais do Quadro (QOA) são menos oficiais que outros está entre os preconceitos que ganharam força nos últimos tempos. Ou seja, a redução do número de vagas foi um tiro no peito das expectativas cuidadosamente construídas. Nesse cenário, ampliar o debate interno com as associações representativas abre caminho para a confirmação, no futuro, de que a escolha do Comandante se justificou também pela obra derivada dela.

Nunca dirigi a palavra ao Coronel Barreto. Nem tenho tal postulação. Mas vejo ali a seriedade, a discrição própria dos homens dedicados, focados no trabalho e no resultado de interesse público. Eis aí as condições elementares para a virada de página.

Percebe-se, sem esforços que, entre uma Câmera de televisão e uma reunião de planejamento, o Coronel Barreto ficará com a segunda opção. Aprendi que homens públicos que concedem muita entrevista despacham pouco. E podem despachar errado!

Além disso, seu relacionamento com pares e subordinados expressa um respeito que facilita o cumprimento de suas ordens. Sua passagem pelo 6º Batalhão foi um marco de respeito e comprometimento técnico. Ser mais preocupado com planejamento, metas e resultados que com os ritos por vezes desnecessários do militarismo evidencia sintonia com a modernidade.

Este Blog ouviu uma fonte confiável que trabalhou com Barreto quando ele ainda era Tenente. Segundo a fonte, “trata-se de um profissional muito técnico e humano”. Curiosamente, ouvi isso de todos que consultei.

Por fim, poder retornar a um Batalhão de área depois de passar pelo Comando Geralda PMES e ser recebido de braços abertos pelos subordinados deve fazer parte dos objetivos de um comandante. Não há voz que desminta as notáveis credenciais do Coronel Barreto. Ele terá um desafio enorme. Mas sobram evidências de que o futuro será muito melhor que o presente. Sucesso, Coronel!

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