Cultura

Crônica partida!

O problema não é o pão, é o chão!

Nos desvãos, quando julguei amanhecer, era noite. Escuridão sem sequer lampião.

O tempo traz seus mistérios, traz suas surpresas. Diferentemente de Thiago de Mello, nem sempre é possível cantar no escuro. Se faz escuro, não canto! O verso que procurei, não encontrei. Apenas me lembrei. Eu me lembrei do chão do sertão. Eu me lembrei do Euclides da Cunha e do João. Sim, o Cabral de Melo Neto. Eu pensei em Drummond e sua antologia poética. Nada me veio à mente. Euclides já disse que o nordestino é antes de tudo um forte. Ele podia dizer o que quisesse.

Mas há uma linguagem de alma que não se manifesta em verbo. Quando quarentei fiz meu próprio rito de passagem, em crônica. Eu nem tinha vivido nada. Só valeu para o que se sucedeu até ali. De lá até aqui já vivi bem mais. Afinal, a vida não se mede apenas cronológica ou psicologicamente. Eu só descobri agora que ela também se mede pelas pulsações do coração, pelo ritmo. Quando quarentei, pensei ter visto bastante. Tolo eu.

Mas descobri, um pouco depois, que a vida é bem mais surpreendente. Às vezes decepcionante.  Pão sem chão é circo sem palhaço, arte sem criação, um minifúndio da alegria. Sim,  um Poema sem alma. Ah, ainda bem que outro gigante disse que a literatura é uma prova de que a vida (tal como ela se apresenta) não basta. Verdade. A vida é tão dura que somente a literatura nos alivia parte das dores.

Mais que em qualquer momento, ela será meu refúgio. E neste refúgio só se pode entrar armado com a fé!

 

Por Maurício Reis de Sousa

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    alone place.

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