Na política, velhas raposas já diziam que as mudanças são imprevisíveis como as nuvens. Não há como discordar.  Na geleia geral que antecede as definições de chapas tudo pode acontecer: inclusive nada!

As viúvas de Paulo Hartung não aceitam a desistência dele. Por isso, querem a qualquer custo que o gigante de Guaçuí reconsidere a decisão.  Diferentemente de Jânio Quadros em 1961, cuja volta não foi pedida nem pelo Congresso nem pelo povo, Hartung está sendo chamado, mas apenas por aquelas figuras que sem ele ficam, além de viúvas, órfãs.

Entre os maiores entusiastas do retorno de Hartung à disputa está o ex-deputado Neucimar Fraga.  Para quem não sabe, Neucimar é aquele ex-deputado federal que durante o depoimento de Marcola (chefe do PCC), na Câmara Federal, passou por um constrangimento antológico.

Consta que o criminoso Marcola tem grande apreço pela leitura. Por isso, durante depoimento do chefe do PCC a uma CPI, um parlamentar lhe perguntou qual seu livro preferido. Marcola respondeu: “Assim falava Zaratustra”. Alheio ao que o criminoso Marcola Falava, Neucimar Fraga interveio e mandou: “assim falava quem?”

Alguém lhe disse, também sem ser compreendido, que o criminosos Marcola se referia à obra prima do filósofo alemão Friedrich Nietzsche!

O tempo passou. Neucimar, hoje sem mandato, está no centro das articulações políticas do Espírito Santo, implorando pela volta do gigante à disputa.

Do outro lado, Majeski, numa leitura cuidadosa da cena política, recuou e voltou à disputa de estadual. Está correto o deputado. Levar à frente uma candidatura ao senado a qualquer custo não é sinal de inteligência.

A desarrumação no grupo palaciano tornou o ambiente de decisões muito volátil e perigoso. A intransigência não combina com política. Lá na frente, se eleito, Casagrande também não poderá dizer que Majeski lhe criou dificuldades.

Além disso, Majeski tem tudo para ser o deputado estadual mais votado nesta eleição. Ou seja, dada a miséria que infesta o ambiente da política capixaba e brasileira, a sociedade perderia muito, caso Majeski fosse derrotado ao senado. E o risco era enorme.

Assim, ao desistir da disputa ao senado e voltar à disputa à Assembleia Legislativa, Majeski garante aos capixabas que pelo menos um deputado de atuação exemplar estará a serviço do interesse público capixaba, independentemente de quem venha a ser o governador. No ambiente da miséria política em que estamos imersos, isso não é pouca coisa!