Entrevistas

ENTREVISTA EXCLUSIVA COM SERGIO MAJESKI!

Marinheiro de primeira viagem num mar político dominado por tubarões e velhas piranhas, Sérgio Majeski vem desafiando o coro dos contentes. Ele não entra na roda do samba palaciano, nem beija a mão do gigante de Guaçuí, porque parece reconhecer que a sujeição é um traço dos fracos e oportunistas. E o tempo que vivemos exige coragem.

Majeski vai noutra direção. Optou pelo caminho mais difícil. Mas não impossível. Tornou-se um dos atores mais importantes da cena política capixaba. Por isso, não são poucos os observadores que afirmam que Majeski e Sérgio Vidigal podem desequilibrar a disputa ao governo do estado. Vidigal, apesar de conhecer bem Hartung, ainda não decidiu. Majeski é Casagrande desde criancinha.

Nosso primeiro entrevistado é a mais qualificada voz de oposição surgida no Parlamento capixaba nos últimos 20 anos. Sua atuação é um sopro de esperança.

Decidiu ser candidato ao Senado Federal. Sua missão é árdua, sobretudo porque não tem a vocação circense de Magno Malta e Amaro Neto, nem a predileção palaciana de Ricardo Ferraço. Mas tem uma capacidade de dialogar permanentemente com a sociedade civil. Nesta entrevista – que abre a série de entrevistas do Blog – Majeski reafirma sua crítica ao governo em relação à crise na segurança pública em fevereiro de 2017. Eis a prova de que a política capixaba pode ser diferente. Confira!

 

O senhor, deputado de primeiro mandato, já mostrou uma capacidade enorme de dialogar  com a sociedade civil. A que o Senhor atribui isso?  

Sempre que alguém me pergunta se eu me inspirei em algum político para nortear a minha atuação, eu respondo que tento agir como um político que um dia eu mesmo quis eleger. Um político que fosse coerente, transparente, republicano, bem fundamentado, ético e que colocasse os interesses da coletividade acima de qualquer outro. Creio que ao agir dessa forma, a parte da sociedade que acompanha o meu trabalho compreende que não faço proselitismo político, não fico “jogando para plateia” e, muito menos, participo do velho balcão de negócios entre o Executivo e o Legislativo. Quem acompanha as minhas ações acredita em mim e se sente representada.  O fato de me comunicar de uma forma direta, franca e acessível, sem a “enrolação” dos “políticos profissionais”, também ajuda muito nessa interação.

Qual a avaliação do senhor sobre a relação do Executivo com o Legislativo no Espírito Santo?

A relação entre os poderes no ES (e creio que no restante do Brasil também) passa longe daquilo que, em tese, deveria ser: independente e harmônica.  A ALES, na maioria das vezes, se comporta como um “puxadinho” do Palácio Anchieta.  PH tem, pelo menos, 24 deputados aliados, que agem conforme as suas ordens. Nada fazem ou votam sem a autorização expressa do governador. Em troca recebem cargos e outros favores do governo. É o velho balcão de negócios.  A subserviência chega a tal ponto, que quando a atual Mesa Diretora (composta pelo Palácio Anchieta), que tomou posse no início de 2017, as comissões permanentes foram reformuladas (até então eu era membro efetivo das comissões de Cidadania e de Ciências e Tecnologia, da qual era presidente).

São 16 no total. Formou-se na ocasião o “blocão parlamentar” para distribuir os deputados pelas comissões. O deputado Amaro Neto ficou responsável por essa distribuição e, por ordem do governador, eu não pude integrar nenhuma das comissões.

Ou seja: a interferência do governador vai muito além da orientação de como os deputados aliados devem votar. Outro exemplo dessa subserviência é o fato de deputados votarem a favor do veto do governo mesmo quando são eles os autores dos projetos. O Controle de PH sobre a ALES é imenso e, pelo que vejo, as relações entre o Executivo, o Judiciário, o MP e o TC não são muito diferentes.

Qual cenário o senhor imagina encontrar na disputa ao Senado? E qual será sua estratégia, já que sua candidatura será uma candidatura de menos recursos, quando comparada às candidaturas nascidas no Palácio Anchieta? O que o Espírito Santo e o Brasil podem esperar de Sergio Majeski no Senado Federal?

Não é nem uma questão de imaginar, mas de saber de antemão qual é o cenário.  Dos atuais 81 senadores, 52 estão, de alguma forma, encalacrados com a justiça. Entre eles figuras que têm grande poder naquela Casa, como Renan Calheiros, Jucá, e outros. Sei que ali impera, como em outras Casas Legislativas, o velho balcão de negócios, o toma lá dá cá, o apadrinhamento, o personalismo e principalmente o patrimonialismo.  Creio que nunca foi tão necessária a renovação do Senado quanto agora. Existem temas fundamentais cuja influência e, até protagonismo do Senado, tende a ser imensa, como a continuação e o fortalecimento da Lava Jato, a Reforma tributária, um novo pacto federativo, a redução dos gastos desnecessários dos três poderes, especialmente as mordomias, entre outros. Por tudo isso e outros fatores, renovar o Senado com pessoas comprometidas com a sociedade, com a ética e a legalidade, com conhecimento, ficha limpa e sem os vícios da velha política, é algo fundamental e de extrema importância para a sociedade.  Sem dúvidas encontrarei um cenário complicado e com certeza não será nada fácil, mas me sinto preparado e muito entusiasmado para enfrentar esse desafio.

Será quase uma luta entre Davi e vários Golias. Lutar contra representantes da velha política, que possuem influência sobre prefeitos, vereadores, líderes comunitários e igrejas. Disputar contra famosos na TV e todos aqueles que contarão com a máquina do governo e muito dinheiro para gastar (seja dos seus partidos ou dos financiadores), parece uma luta inglória, mas é preciso tentar. Estamos numa encruzilhada: ou rompemos com essa política encardida, que nos levou a situação caótica em que o país vive, ou afundaremos de vez. Esse é o momento da população demonstrar que quer mudanças reais. Nesse momento é fundamental que as pessoas bem intencionadas e que querem mudanças de fato se unam e entendam que não basta votar melhor. É fundamental arregaçar as mangas e lutar pelas candidaturas limpas, honestas, republicanas, com propostas fundamentadas e com um histórico que as credencie para o posto almejado.

Minha principal estratégia será divulgar ao máximo o meu trabalho na ALES, a minha vida como cidadão e professor, as minhas propostas e posicionamentos como futuro senador. Para tanto espero contar com grande apoio de formadores de opinião, ex alunos,  lideranças e pessoas comuns que estejam dispostas a lutar por uma nova política.

Creio que a minha atuação na Ales já um indicativo do que  podem esperar. O ES e o Brasil podem esperar um Senador comprometido com a sociedade, coerente, bem fundamentado, ético, honesto e combativo, assim como tenho sido na ALES. Atuarei sem tréguas pelo fim da corrupção, pelo bom uso do dinheiro público, pelas reformas necessárias e pelo cumprimento daquilo que a Constituição e todo o arcabouço legal já preconizam como direitos da sociedade.

 O Espírito Santo viveu dias terríveis em 2017 (paralisação das atividades da PMES), como o senhor avalia a postura do governo durante a crise?

Foram dias terríveis para a população e que poderiam ter sido evitados com diálogo. Todos que são da área de segurança, saúde e educação, sabem que não existe diálogo com esse governador. Não é por acaso que ele tem o apelido de “imperador”. Na semana em que o movimento dos familiares ia começar, muita gente já sabia disso. Já havia um burburinho pelas redes sociais desde a quinta-feira, ou seja, o governo também sabia. Mesmo assim o governador deu de ombros, ignorou a situação e se ausentou do Estado na sexta-feira sem ter passado o comando para o vice, o que ocorreu só no domingo. No sábado à tarde e no domingo o caos já se espalhava pelo Estado, que estava sem ninguém no comando.   A ALES foi muito omissa na ocasião. Na terça feira, dia 7/2, ocorreu uma reunião na Assembleia entre mais de 20 deputados e representantes dos familiares dos policiais. Foram seis horas de reunião e tínhamos conseguido um bom acordo, que seria levado para o governo.

Na quarta-feira deveria haver outra reunião entre representantes do governo, da ALES e dos familiares. Mas Hantung já estava de volta ao governo e junto ao então secretário de segurança, André Garcia e do vice-governador, César Colnago, deu uma entrevista na TV rechaçando a iniciativa da ALES. Acusaram os deputados de tentar sabotar as negociações.  Se o governador não fosse tão ditador, a greve poderia ter acabado naquela quarta-feira, pois o acertado na terça com os familiares era muito razoável para todos e teria evitado centenas de mortes e prejuízos milionários ao Estado.

A partir da entrevista de Hartung e Garcia humilhando a Ales, o presidente da Casa e a esmagadora maioria dos deputados se anularam, numa atitude lamentável.

Da mesma forma a bancada federal, tanto dos deputados, como dos senadores, também sumiu. Apenas eu e o deputado Da Vitória continuamos a nos manifestar. Não tenho nenhuma dúvida ao afirmar que o maior culpado daquela crise foi o governador Paulo Hartung, em função da sua arrogância e prepotência. Age de uma forma ditadora em todos os setores: segurança, saúde, educação… 

Policiais e seus familiares vêm sendo perseguidos e processados pelo governador, mas Hartung é que deveria ser punido, pois foi o maior culpado pelo que  ocorreu, se a justiça não o pune, espero que a população o faça em outubro.

 As condições para a derrota de Paulo Hartung estão postas?

Penso que é muito cedo para falar em vitórias ou derrotas. Como você mesmo costuma dizer, Hartung é um passado que não quer passar, e o seu modus operandi está exaurido. Grande parte da população já percebeu que Hartung como grande gestor é muito mais uma criação dos seus marqueteiros e de parte da grande mídia, do que uma realidade. A saúde, a educação e a segurança nos ES estão um caos e a população sente isso, pois é nessa realidade que as pessoas vivem e não na propaganda fantasiosa do governo. Visito constantemente os municípios do interior e da Grande Vitória e percebo claramente a grande insatisfação da população com o governo Hartung. Apesar do governador e seus secretários usarem descaradamente a máquina pública e, agora as vésperas das eleições, anunciar “bondades”- como reajustes mínimos para o funcionalismo, alguns concursos e obras – grande parte da população não cai mais nesses truques. Eu acredito que Hartung será derrotado, mas é uma velha raposa astuta, que tem usado o dinheiro público e métodos rasteiros para pressionar prefeitos, vereadores e lideranças. Por isso não deve ser subestimado. Mas acredito no bom senso da maioria da população, que já percebeu a grande farsa que é Hartung e seu governo.

 

11 Comentários

  1. Weverson Antônio Soares

    Parabéns pela entrevista! Majeski tocou em pontos fundamentais como a manutenção da lava-jato e a formulação de um novo pacto federativo; que são extremante importantes para uma renovação na nossa velha e pérfida política.

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