Política Nacional

Expedição Maranhão – Texto 01

Tarde de 10 de abril de 2019, às margens da BR 135, Município de Itapecuru Mirim, no Sarneyquistão, que alguns chamam Maranhão, conversei com seu Luiz. Ele vive (ou sobrevive) no coração da Mata dos Cocais.

Homem corcunda e pernas meio cangalhas, ele me chamou atenção. Depois de comprarmos milho, tive coragem de lhe fazer duas perguntas indispensáveis a quem ousa conhecer o chamado Brasil profundo.

Eu queria saber, nas palavras dele, qual sua fonte de renda e qual sua percepção do governo do seu estado.

Ele me disse que sua única fonte de renda é a venda de milho, Pinha, Batata, etc, que ele colhe num pequeno roçado das proximidades.

Perguntei ainda se ele prefere os “Sarneys” ou Flávio Dino. Ele me respondeu:
“Tanto faz. Eu nem voto mais. Qualquer um deles não vai fazer nada aqui”.

Pode parecer algo simples a resposta. Na prática, representa a descrença absoluta na política. Além disso, existe ali uma sensação de “Não-Estado”. É quando as pessoas desconhecem o indispensável à percepção do mundo abstrato, o mundo das instituições. É um estágio anterior à sub cidadania, do que fala o sociólogo Jessé Souza.

Saímos dali, e levei para a continuidade da expedição a sensação de que o Brasil não é mesmo para principiante.

O Brasil não cabe nas simplificações paridas nos maconhódromos universitários. Seu Luiz não tem noção de Previdência social. Também não imagina que, “em seu nome”, parlamentares do Maranhão são contra a Nova Previdência, cuja reforma vai permitir ao Brasil capacidade mínima para desenhar um futuro melhor para os filhos do seu Luiz.

Sim. Para ele, a palavra “futuro” é ilegível na escrita e no seu significante. Pobre Brasil!

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