Política do Espírito Santo

Hartung, o ano em que o medo venceu a arrogância e o ódio está matando o suposto democrata!

A arrogância nunca é uma boa companhia. Eis aí o ainda governador do Espírito Santo a exemplificar.  Elevado à condição de semideus da política capixaba pelos bajuladores de plantão, o futuro ex-governador formalmente desiste de disputar o que seria seu quarto mandato. As justificativas para a desistência revelam a pequenez de um político decadente.

Em entrevista, o gigante de Guaçuí afirmou que chegou a hora de “passar o bastão”. Engodo. Hartung viu que a derrota estava em seus contornos finais. Consta que vai voltar a ser economista, escrever livros. Sei.

Na prática, individualmente o principal responsável pela desistência de Hartung foi seu secretário de segurança André Garcia, que foi incapaz de captar as insatisfações difusas na PMES. Embora o Espírito Santo esteja com indicadores em segurança pública melhores que há 15 anos, o olhar voltado apenas pra os números impediu o governador de enxergar as pessoas.

Entre as pessoas esquecidas por Hartung ficaram os agentes de segurança pública. Especialmente a Polícia Militar. Hartung nunca aprendeu nada sobre instituições de segurança. E, nesse particular, cercou-se de gente menos capaz que ele. Seguiu como um cego a cartilha do ajuste fiscal, mas se esqueceu de identificar os focos de insatisfação, negligenciou o poder das corporações, num país lamentavelmente dominado por elas.

Curiosamente, foi com Paulo Hartung, no primeiro e segundo governos, que foram registrados os principais avanços de natureza meritocrática na PMES. Sim, com o gigante de Guaçuí foi elaborado um plano de carreira para as praças da PMES, a partir do qual a ascensão unia experiência e conhecimento.

Por meio do plano (para o qual foi fundamental a participação do Subtenente Ramalho), a prova a Sargentos se tornava interna, bem como a prova a Cabos da PMES, a partir daí inteligentemente se davam as promoções, respeitando princípios de antiguidade e merecimento.

Os gênios de que Hartung se cercou, depois do calor de fevereiro de 2017, quiseram acabar com a prova interna a sargentos, ignorando os bons ensinamentos empíricos e o mínimo sobre antropologia das instituições. Sim, na prática, era o claro sinal de repulsa aos critérios apoiados pelo próprio Hartung no passado.

Tivesse seguido as bases justificadoras daquelas mudanças do primeiro e segundo governos, Hartung teria avançado um pouco mais e tornado interno o concurso de oficiais da PMES.

Trata-se de uma postulação bastante disseminada na tropa. Permitir que obrigatoriamente a porta de ingresso na PMES seja a de soldados é abrir um precedente fantástico, é garantir um horizonte amplo que nasce (e une) experiência e conhecimento, é caminhar na direção das melhores possibilidades de resultado. Os gênios de que Hartung se cercou pensam exatamente o contrário. Ainda associam conhecimento à hierarquia. Perderam o trem da história. E com eles Hartung ficou parado numa estação chamada fevereiro de 2017. Este blogueiro fez um apelo no início do movimento Hartung! Abrace a PM.  Claro que ele não leu! Entretanto, mais de dez mil capixabas leram.

Hartung conduziu pessimamente a crise de fevereiro de 2017 (e não foi por causa de doença). Tratava-se de um movimento profundamente desorganizado e sem liderança formal. Mas tinha um componente psicologicamente explosivo, o fato de a PMES ter o pior salário do Brasil. Dizer que “não ficará pedra sobre” não constituiu um apelo conciliatório, mas a arrogância de quem rejeita os fatos e a história.   

Hartung conduzia um governo sem olhar para o retrovisor. Esqueceu-se de que, noutra circunstância história, a PMES já havia dado demonstração de absurda mobilização política.

Em 1994, o ativismo da PMES foi fundamental para levar ao segundo turno da disputa ao governo o tal Cabo Camata. Felizmente ele foi derrotado. Cabo Camata era uma espécie de homo sapiens do qual nasceu Bolsonaro. O Espírito Santo escapou de Cabo Camata (caiu desgraçadamente no Colo de Vitor Buaiz). Mas, dois anos depois, o Cabo Camata seria eleito prefeito de Cariacica. A tragédia da experiência confirma que valentia não combina com gestão pública.  

Ao desistir da disputa, por clara convicção de derrota, o gigante de Guaçuí tenta captar o sentimento em retrospecto. Dizem que ele pode apoiar Amaro Neto.  

Diante de tal hipótese, resta evidente que (como já observado pelo meu amigo Ronaldo Casundé) Hartung está cedendo ao espírito do momento, buscando um candidato que, a exemplo de Bolsonaro, seja capaz de apresentar no Espírito Santo solução fácil para problemas complexos. Mas que também seja alguém de potencial eleitoral expressivo. Não importa se Amaro Neto exerce um mandato abaixo da mediocridade.

Nesse momento, Hartung tem três objetivos, que se completam: não ter problemas com “os Ferraço” (principalmente o pai); impedir a virtual vitória de Casagrande e, por fim, ver Majeski derrotado na disputa ao senado.

Para isso, Amaro Neto pode ser fundamental, porque sairia do caminho de Ricardo Ferraço e ainda pode dar um trabalho absurdo a Casagrande, que agora passa a correr riscos não imaginados.  

Enfim, o quadro deixa claro que Hartung, ainda que viva a falar em boa política, instituições, democracia, civilização, educação etc, na verdade, é um político do tamanho da importância política do Espírito Santo. Sua consciência democrática é tão grande, que chega a ser engolida pelo ódio e pela arrogância. A mesma arrogância com que tratou o atabalhoado movimento de fevereiro de 2017. Mês e ano que derrotaram um político, mesmo sem ele disputar a eleição do ano seguinte!  

 

11 Comentários

  1. Nati

    Cirúrgico o seu pensamento sobre o ditador!
    Achei pefeita a matéria; a tirania intramuros na pm é tbm um fator que o MP deve dar uma investigada urgente pois vários militares estão sendo vítima de perseguição dos partidários baianenses.

  2. Jose

    Falar que pra ser oficial tem que ser soldado antes é igual a dizer que para ser engenheiro tem que ser pedreiro primeiro..

    • José Augusto

      Tem muito pedreiro que sabe mais q engenheiro, principalmente aqui no Brasil. Quem n conhece Polícia, fala isso, o cara faz prova de oficial aos 16 anos, vira chefe, comanda do jeito q quiser, exige coisas ao qual nunca fez etc

    • Marcio

      Meu amigo você está falando de profissões diferentes, Praça PM e Oficial PM é a mesma profissão. A idéia é que o Praça que se preparar e se qualificar terá totais condições de ir a Coronel.

    • Nati

      Desnecessário e medíocre sua opinião, na PM a base é bem mais inteligente que o topo, porém são amputados de opinião e expressão por conta de regulamentos arcaicos e tiranos

  3. Giulliano

    Ciências exatas x humanas. Sei nem a razão de ter dado atenção.

  4. João Batista de Souza

    O Sd pode sim chegar a Coronel, qual o problema?! Assim como qq acadêmico pode alcançar o pós doutorado, o Sd vai se graduando, aperfeiçoando, qualificando… simples assim, viu, cabeças pensantes!!! Não aceitar/entender isso é uma questão de arrogância, orgulho, desmerecimento da capacidade humana.

  5. I read this paragraph fully regarding the resemblance of newest and
    previous technologies, it’s remarkable article.

  6. We stumbled over here different web page and thought I might as well check things out.
    I like what I see so i am just following you. Look forward to exploring your web page repeatedly.

  7. It’s very easy to find out any topic on web as compared to books, as I found this post at this web site.

  8. It’s actually a cool and helpful piece of information. I am happy that
    you shared this useful information with us. Please stay us informed like this.
    Thanks for sharing.

Deixe uma resposta