Política Nacional

Não reconheço “mito” em política, mas não aplaudo o jornalixo brasileiro que se faz pistoleiro de reputações. Ou: Bolsonaro como mito é tão verdadeiro quanto a isenção do jornalismo brasileiro que tenta destruí-lo!


Nunca passou pela minha cabeça chata de nordestino o desejo de votar em Jair Bolsonaro. Há na figura em questão traços políticos que minha modesta visão de mundo me ensinou a rejeitar. Trata-se de um homem que se recusou a internalizar os valores da democracia. Embora a versão de democracia no Brasil seja em grande medida uma fraude, nossa caminhada deve ser daqui para frente. Sim, a democracia é uma aposta. Inegociável. Ela, a democracia brasileira, está temporariamente sequestrada por ladrões. O que penso sobre Bolsonaro e seu peculiar jeito de encarar os fatos da política está resumido AQUI. Noutra oportunidade também escrevi AQUI. Mais recentemente escrevi sobre o ogro parlamentar AQUI

Agora, jamais aderiria à pistolagem jornalística que tenta desconstruir a pré-candidatura de Bolsonaro, pelo simples fato de que o ogro pseudo-direitista não pertence ao esboço aceitável pela intelligentsia brasileira. Ou seja, está em curso no Brasil o mais covarde ataque que um político sofreu desde a redemocratização. Isso pode ter efeitos contraproducentes.  A sociedade brasileira tem aprendido bastante com os fatos. A Globo que tenta esfarelar Bolsonaro é a mesma que autoriza campanha antecipada de Luciano Huck em seu principal programa de domingo.

Desde de 1989, quando a Globo despudoradamente assumiu defesa da candidatura Collor, não há registro de que o esgoto moral da emissora tenha se revelado tão fétido. Ainda que Luciano Huck não seja candidato, está claro que a Globo está fazendo uma versão piorada de si mesma. Ou seja, o grupo está buscando um protagonismo maior que o que teve nas últimas eleições. Quando vi parte da apresentação de Luciano Huck no programa do abjeto Fausto Silva, fiquei a procurar algo como aquilo que houvera impressionado o governador do Espírito Santo. Consta que o governador do Espírito Santo havia ficado  “impressionado” com as ideias de Huck. O Brasil ainda não as conhece!

Percebi que Luciano Huck está gostando desse negócio de ser “pré-presidenciável”. E a Globo dá asas à imaginação pouco fértil do seu funcionário.

Em Notícias do Planalto, de Mário Sérgio Conti, fica claro que em 1989 o grupo Globo demorou a se decidir por Collor. Desta feita, enquanto não  decide se vai com Luciano, Alckmin ou outro, a emissora sabe que esfarelar Bolsonaro é pressuposto para a escolha a ser feita. Curiosamente, é a mesma emissora que saudava a experiência de Sergio Cabral como salto epistemológico no mundo da administração pública. Enquanto enganava os que hoje tentam destruir Bolsonaro, o hoje presidiário Sergio Cabral arquitetava seu plano de ser o maior corrupto do mundo. Seu amigo Lula talvez lhe fosse o adversário mais forte. Um já está vendo o sol nascer quadrado, o outro tem mais um (definitivo) encontro com a justiça no próximo dia 24.

Caríssimos, o que lhes quero dizer é que do ponto de vista do interesse público a principal pauta do jornalismo tupiniquim deveria ser o julgamento de Lula no dia 24. Como forma de desviar o foco daquilo que verdadeiramente interessa, o jornalixo brasileiro faz parecer que desconstruir Bolsonaro seja a prioridade do dia. Não é. Até que se prove contrário Bolsonaro é suspeito. Até que se prove contrário, Lula é um ladravaz que quebrou uma das maiores economias do mundo sob olhar encantado da grande mídia brasileira. Expor aos brasileiros a importância da ratificação da condenação do Lula é, sim, matéria de primeira grandeza. O silêncio da grande imprensa brasileira apenas confirma sua cumplicidade histórica com a corrupção.

Fica claramente evidente que a estratégia em curso é preservar a polarização entre o candidato do PSDB e o do PT (ou apoiado pelo PT, já que Lula deve mesmo ser condenado em segunda instância). Como Geraldo Alckmin precisa desesperadamente decolar, o cálculo é supor que o eventual esfarelamento de Bolsonaro possa se traduzir numa migração de votos capaz de retirar de Alckmin a sombra que Dória causa a ele. Ou seja, ou Geraldo cresce ou Dória “renasce” como postulante. Eis aí a necessidade de implodir Bolsonaro.

Mostrar que Bolsonaro é um homem rico é mais importante que mostrar que Lula é condenado por corrupção. Assim sendo, se Bolsonaro resistir à primeira fase do tiroteio, significa que carimbará o passaporte para o segundo turno. Ele é apenas um político com legitimidade em sua postulação. Nunca o vi como nada além disso. Ou seja, como mito ele é tão verdadeiro quanto a isenção do jornalismo brasileiro que tenta destruí-lo.  

 

3 Comentários

  1. Igor Lima

    Não ha dúvidas que a mídia brasileira é a força polarizadora na política, mas esse magnetismo não vem de campo algum e nem de longe podemos dizer que existe um polo positivo.
    A incontestável realidade é que a disputa presidencial é tratada por seus representante como um jogo sujo onde a gravidade não é levada em conta.
    Nessas circunstâncias, boa parte dos cidadãos, quando matéria inerte, são atraídos por essa força, culminando em atos de ódio e no surgimento de especialistas de internet.

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