Política

O Crime como espetáculo – O Rio de Janeiro é a parte mais podre do Brasil!

Ninguém consegue destruir um estado rico de uma hora para outra. É um trabalho lento, que leva anos. A tragédia carioca não começou com Cabral. O presidiário, que governou o estado por dois mandatos, aperfeiçoou métodos e ampliou suas ambições. Ele queria ser o maior ladrão do mundo. Há quem diga que conseguiu. O tempo e os fatos dirão. Por enquanto, está condenado a apenas 49 anos de prisão. Mais outros dois presidiários cariocas também já governaram o Rio de Janeiro, o casal “Garotinho”. A sordidez do humor sugere que os cariocas podem até pedir música ao Programa Fantástico.

Bem antes de Cabral, Brizola já iniciara, em 1983, uma relação incestuosa com criminosos dos morros cariocas, impondo sérias restrições ao trabalho policial. Resta evidente que a degradação do Rio de Janeiro é uma obra feita (ou desfeita!) lenta e progressivamente. Brizola chamava de vítimas da sociedade a geração de criminosos cujos descendentes hoje vitimam os cariocas. Horrorosa ironia!

 

IMG-20171208-WA0004A promiscuidade que contaminou todas as áreas da administração pública do Rio de janeiro, fechando universidade (UERJ), atrasando pagamento de servidores, não deixaria as instituições policiais imunes, posto que formadas por homens e mulheres como outros “quaisquer”.  Com raríssimas exceções, as polícias cariocas, Civil e Militar, tornaram-se parte do grave problema de governança que atinge o Rio de Janeiro. A Polícia carioca, de acordo com inúmeras pesquisas, mostra-se a menos confiável do Brasil, um país em que as instituições policiais (Civil e Militar) já estão entre as instituições menos confiáveis.

Policiais cariocas mostram uma absurda desconexão da realidade. E assim prestam grande contribuição ao rebaixamento do nível de confiança das instituições que eles deveriam honrar. Ou mudar de lado logo!

A foto da Policial Civil sorridente ao lado do criminoso Rogério  rodou o mundo. Ela causa asco.  A espetacularização do crime é um mal do nosso tempo. Afinal, existe a espetacularização da notícia (Leia Showrnalismoa notícia como espetáculo, de Josér Arbex Júnior). Existe, por fim, a espetacularização da vida. Mas quando policiais posam ao lado de um criminoso, como se ele fosse uma celebridade, é a prova de que no imaginário desses agentes da Lei a distinção entre os lados, que se querem opostos, deixasse de existir.

O Congresso brasileiro, por exemplo, está cheio de ladrões. Mas até entre os ladrões do Congresso (e de qualquer Congresso do mundo democrático) a quebra de decoro pode provocar perda de mandato. Policiais que ultrapassam a linha que divide os lados que a sociedade consagrou como opostos não podem permanecer na Polícia.  Isso vale para o Rio. Isso vale para o mundo. Não digo aqui que a foto com o criminoso seja algum tipo de associação criminosa. Ela traduz falta de decoro!

IMG-20171208-WA0001Por outro lado, um (a) policial demonstrar orgulho e alegria numa foto ao lado de um dos criminosos mais perigosos do Rio de janeiro é prova de que o Brasil está se consolidando como grande sanatório. Sim, a loucura está se tornando regra!

Em se mantendo esse rumo, não haverá qualquer estranhamento se daqui a algum tempo o tal Rogério 157 estiver no Programa Encontro, com Fátima Bernardes, mostrando as dificuldades de sua vida, que o levaram ao crime, e como ele ajudou as “comunidades”, empregando jovens no “trabalho” do tráfico, etc. Quem sabe a Globo até crie uma minissérie contando a trajetória do “jovem”, apontando o crime como alternativa moralmente aceita e ideologicamente justificada. Rogério 157: do Morro ao Cinema. Pobre Brasil!

O distanciamento da realidade é um dos males mais graves no Brasil. O país que não lê livros jamais lerá o espírito do tempo. A sociedade brasileira, a despeito de sua dose elevada de hipocrisia, vai reafirmando seu compromisso com a transparência no serviço público e expressando seu desejo de igualdade de todos perante a Lei. O caminho não é simples. 15 anos atrás ninguém imaginava que um estado da federação pudesse ter três ex-governadores presos, que Lula fosse ser chamado formalmente de corrupto. O Brasil está mudando. 

Agentes de segurança pública – de serviço ou de folga – não podem fazer selfie ao lado de criminosos. A fronteira deve ser respeitada. O antagonismo de interesses e princípios deve ser claro. Isso é parte de um problema mais sério. Reconhecer isso como normal ou aceitável apenas confirma a situação clínica do pretenso analista, ratifica o sanatório a céu aberto em que se transformou o Brasil.

Constata-se por óbvio que Polícia é polícia. Bandido é bandido. E bandido fardado (ou de polícia que não usa farda!) é bandido ao quadrado. Simples assim!

 

Por Maurício Reis de Sousa

 

  

 

4 Comentários

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