Política

O Piauí não é aqui – de Torquato a Portela!

portelaO Piauí tem alguns motivos para se fazer conhecer pelo resto do Brasil. Um dos maiores orgulhos piauienses é Torquato Neto, expoente do tropicalismo. Ainda no mundo das artes, o poeta Mário Faustino (1930-1962), considerado por muitos críticos o maior poeta brasileiro, alegra almas que cultivam  fuga rumo a um universo mais lírico. Também nasci no Piauí, o que, suponho, não me descredencie do direito à fala sobre minha “terra querida”, como cantava na minha infância escolar naquelas bandas.

Na última semana, entretanto, o orgulho de quem se declara da “terra do Torquato” cedeu lugar ao constrangimento por contraditoriamente também ser da “terra dos Portelas”.

Li o agradecimento de uma promotora, Claudia Portela – quase uma declaração de amor – pelo fato de que, após assaltarem uma agência do Banco do Nordeste, os criminosos terem levado “apenas o dinheiro”, sem agredir os reféns. A ilustríssima promotora fez chegar aos criminosos seus (dela) sinceros agradecimentos pelo “profissionalismo” com que conduziram “os trabalhos”. Para completar, destilou seu preconceito matreiro, sua ilustração nascida das lamparinas, contra a Polícia Militar. A promotora escreveu num grupo de WhatsApp:  

“(…). Se possível peço ao Defensor Público presente, que diga a ele (bandido) que a família está agradecida por tudo ter saído bem e pela forma profissional como agiram. Se não fosse isso, a polícia teria feito uma merda, permissa venia, maior do que a que fizeram. Desculpem-me por eventuais falhas, nenhuma intencional. Obrigado a todos pela convivência (…)”. “No meu último dia de MPE-PI oito membros da minha família foram feitos reféns (…). Graças a Deus tudo saiu bem. Eram profissionais”.

Eis aí em estado puro a estocolmização –  a gratidão ao criminoso. Eis aí a evidência de que no Piauí, como no Brasil, há uma miséria mental muito mais grave que a miséria material. Essa miséria pode andar de mãos dadas com a opulência material.  Pobre Piauí. Torquato ficou no passado, Mario Faustino quase ninguém conhece. Ficam para constrangimento de uma população amável os restos de uma família que sempre teve seus tentáculos onde o poder público pulsa naquele pobre estado. O Piauí não é aqui, mas há Piauí em todos os lugares do Brasil. Asco!

 

Por Maurício Sousa  

                   

4 Comentários

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