Política

“O Professor e o Preconceito” é um texto que escrevi e publiquei, em dezembro de 2014, em A TRIBUNA. Nele deixava claro que milicianos do pensamento estavam vendo racismo no que havia apenas uma opinião, ainda que lamentável. Eis que tempo e a justiça podem iluminar as trevas mentais!

09 de dezembro de 2014. LINK:  AQUI

“O começo do mês de novembro foi um pouco agitado na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), particularmente no curso de Ciências Sociais. Pelo que foi informado pela imprensa, e segundo depoimento de vários estudantes, um professor do Departamento de Economia, que ministra uma disciplina no curso de Ciências Sociais teria sido racista numa declaração.

Para quem não esteve na sala de aula, fica difícil saber exatamente o que o professor falou. Entretanto, tudo indica, o ponto nevrálgico da aula teria sido a declaração do professor de que entre ser consultado por um médico “branco” ou por um médico “negro” optaria pela consulta com um “branco”. Pronto! A revolta começou.

Não se sabe exatamente se o professor teve tempo de discorrer minimamente sobre as razões de sua eventual escolha no hipotético cenário. Não se sabe se o professor pôde explicar o fato de que o curso da história brasileira – nosso passado escravagista, e a forma como se deu a transição do modelo escravocrata para a sociedade livre – não ofereceu aos negros os mesmos mecanismos de acesso ao conhecimento formal, razão pela qual lamentavelmente a possibilidade de um médico não negro ter uma formação mais densa que um negro é, infelizmente, maior. Uma declaração dessas, ainda que dolorosa, não constitui crime.

Quando vi inúmeros cartazes na UFES, chamando o professor de racista, e o desejo sanguinolento de vê-lo perder a cadeira de professor, não me furtei de perguntar a alguns: de todos aqueles que tiveram tempo de sair às ruas para protestar contra a declaração do professor, quantos deles tiveram interesse em ler a Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989, que “define os crimes resultantes de preconceito de raça ou cor”?

Quem “perder” cinco minutos de seu tempo para tamanho sacrifício, verá que pelo menos ali “a conduta” do professor não cabe como crime. Crime não é aquilo que a militância deseja; crime é o que a lei tipifica. Felizmente, no Brasil, não existe crime de opinião, para tristeza de alguns, e benefícios de todos!

Poderia fazer outra pergunta a quem deseja submeter o professor a um linchamento moral: se você fosse obrigado a fazer uma aposta numa maratona na qual houvesse negros e brancos competindo, você apostaria num negro ou num branco como provável vencedor da maratona? Provavelmente, o nobre militante apostaria num negro, principalmente se for queniano. Isso retira a possibilidade de um branco vencer a maratona? De modo algum.

Ou seja, negros podem ser ótimos médicos como brancos ótimos maratonistas – e há exemplos de ambos os casos.  Mas há domínios do conhecimento que por questões históricas encontram-se mais presentes num ou noutro grupo de pessoas, desta ou daquela cor ou etnia, de uma ou de outra região. Não é determinismo, é construção histórica.

A comparação pode não ser a melhor, já que o acesso a maratonas é bem democrático, enquanto ao curso de medicina é elitizado. Entretanto, a trajetória humana aponta certas possibilidades de acerto em determinados cenários de escolhas.

Em pleno Século XXI, ninguém em sã consciência afirmaria que a cor da pele interfere na capacidade de aprendizagem das pessoas. Entretanto, negar a existência daquilo que rejeitamos não torna o fato inexistente.

Portanto, a declaração infeliz do professor não constitui crime. Por outro lado, a reação virulenta dos pretensos monopolistas da defesa do bem se insere noutro terreno, o da intolerância. Ser tolerante com quem pensa como você é muito fácil. Ser tolerante com quem pensa diferente é um exercício mais demorado, cujo êxito nem todos conseguem atingir, independente da cor da pele!”

 

1 Comment

  1. Josimar Braga

    Excelente texto amigo Maurício. Realmente o acesso é diferenciado. Como bem disse, basta sonhar e buscar o que almeja, lembrando sempre que será capaz. A força vem do interior, a cor da pele é consequência do sucesso que você desejou ter e pagou um preço alto para conseguir.

    Abraços.

    Braga

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