Política do Espírito Santo

Paulo Hartung: o Homem e o Medo!

Dezesseis anos depois de ocorrida a eleição que elegeu Paulo Hartung pela primeira vez, o Espírito Santo pode voltar a ter verdadeiramente uma disputa ao governo do Estado. Sim, desde 2002 o que ocorreu neste pedaço do Brasil foi a repetição de práticas que até o Maranhão aprendeu a derrotar.

Inventou-se por aqui uma espécie de negação da democracia. O artificio sob o qual a excrescência se escondia chamava-se “candidatura de unanimidade”. É um insulto inversamente proporcional ao tamanho da consciência democrática de quem tal expediente inventou. 

Nessa toada, em 2006, Paulo Hartung foi reeleito. A candidatura de Sérgio Vidigal, contra Hartung, foi considerada quase uma heresia, posto que, segundo alguns gênios da raça, talvez nem fosse necessário haver eleição. Afinal, é chata essa coisa de “gente despreparada” votar. Sei.

Hartung foi reeleito no primeiro turno. Vidigal viu que com PH não se brinca. Será que Vidigal aprendeu?

Em 2010, por um conjunto de fatores alheios à conjuntura estadual, Hartung apoiou Casagrande. Novamente a “jabuticaba política capixaba”, “unanimidade”, foi o esconderijo dos democratas de ocasião.  

Casagrande, como governador não foi uma Brastemp. Mas é homem de diálogo. Exercia um governo totalmente feudalizado, enquanto os espiões miravam seus passos. Foi uma espécie hóspede na própria casa.

Em 2014, como se o mandato tivesse sido lhe passado por empréstimo, Casagrande ainda ousou buscar a reeleição. Não havia possibilidades. Para ter chances na reeleição, Casagrande deveria ter seguido outro itinerário. Ele embarcou na “arca de Hartung” em 2002, quando a Hartung ofereceu o PSB. Mas em 2014 era o momento de Casagrande ser descartado. Casagrande não foi efetivamente candidato à reeleição, porque de fato não governava. Mesmo assim, na sua reserva de competências, Casagrande imprimiu à vida política capixaba um respiro democrático.

Eis que chegamos a 2018. A “jabuticaba política capixaba” chegou ao fim. E, ainda que os lacaios não percebam, Hartung tornou-se a encarnação do medo. Sim, ele vai ser derrotado! Não vai aqui uma expressão da minha vontade, mas a verbalização de minhas impressões.  

Quem viu e viveu a eleição de 2002 sabe que por muito pouco Hartung não foi derrotado por Max Mauro. No debate do segundo turno Hartung estava visivelmente destemperado. Enquanto Max Mauro se mantinha calmo e sereno. Todos os observadores honestos sabem que se o segundo turno demorasse mais 15 dias Hartung não teria sido eleito. A história seria diferente.

Agora, a exemplo de 2002, uma eleição capixaba será definida no segundo turno. Apesar de todas as forças que tentam interditar o nascimento do debate, ele vai surgindo, na Assembleia Legislativa, nas ruas e nas redes sociais. Assim, a oposição a Hartung ganha uma capilaridade que não tinha até aqui.

Casagrande se movimenta em todos os espaços. É o nome mais forte a  enfrentar o gigante de Guaçuí. Casagrande aprendeu com a dor como se enfrenta um gigante. Sim, gigante mas cujos pés só o levam até onde a vontade popular quiser. E parece que tal vontade se esgotou.

Rose de Freitas, embora ainda não tenha feito apontamento das contradições que o Espírito Santo vive, é águia que sabe dar rasante na hora certa. Ela vem de longe. Tem um longo caminhar pela vida pública.

Coronel Foresti. Embora seja cristão novo em disputa, é certo que surge para ajudar no enfrentamento ao gigante de Guaçuí. Se não estiver sendo usado pelo deputado Manato, pode prestar contribuição ao renascimento da democracia no Espírito Santo.

É pouco provável que alguém que pretende governar um estado pela quarta vez tenha algo novo para oferecer. Hartung é um passado que não quer passar. Fala em “defesa das instituições democráticas”, e com o mesmo desassombro “presta contas” na Assembleia Legislativa com galerias vazias, porque elas estavam fechadas. Mesmo assim, é bajulado pelo colunismo de pena paga quase todos os dias.

Mas eis que, felizmente, a “unanimidade política capixaba” não aboliu o processo eleitoral. Haverá eleições. Os mesmos capixabas que não puderam entrar nas galerias de uma Casa Legislativa (e todos os outros) vão poder entrar nas cabines de votação. Será o momento de dizer se Hartung é passado ou futuro!

 

6 Comentários

  1. ITAMAR NUNES DA VITÓRIA

    ESTOU ESPERANDO A MUDANÇA. MAS ESTOU APRENDENDO A CONVIVER COM A MUDANÇA É O IMPROVÁVEL. SE MAIS UMA VEZ ACONTECER QUE OS DESIGUAIS VENHAM SE DECEPCIONA, O BRASIL, E PRINCIPALMENTE O ESPÍRITO SANTO, ESTARÁ CAINDO EM UMA DOR PROFUNDA DO SÍTIO…

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