Segurança Pública

A PMES DEPOIS DA ANISTIA – TEXTO 01!

O governador Renato Casagrande deu uma demonstração de rara coragem ao arcar com o preço político da anistia administrativa aos policiais militares acusados de participar do movimento de fevereiro de 2017. O elogio ao gesto do governador foi feito AQUI.

Não é fácil para um governador do Espírito Santo contrariar o ex-jornal A GAZETA. Casagrande foi além. Não se preocupou com OAB, Ministros do STF nem com os colunistas de pena paga. Olhou o futuro. Tem tudo para dar certo. 

Mas a vida deve seguir depois da anistia. Eis o desafio do governador. O novo secretário de Segurança Pública pode ter um papel fundamental. Embora venha de uma Polícia Militar (PMRJ) que não é referência para quase nada, o secretário já demonstrou ter experiência e curriculum que extrapolam o ambiente das postulações meramente corporativas. Foi do BOPE e é da Polícia Federal. Merece respeito. Mas vai ter que mostrar serviço.

Depois da bagunça que Paulo Hartung causou nas leis de promoção na PMES, é preciso redesenhar o futuro. As Leis não eram perfeitas. Mas conseguiam juntar mérito e experiência em boa perspectiva. A bagunça patrocinada pelos vassalos de Hartung criou uma falsa definição para mérito e passou a exaltar a bajulação palaciana como instrumento de ascensão hierárquica. É asqueroso!

Entretanto, cá do meu canto, considero que a Anistia se completa com um conjunto de medidas, entre as quais:

UM PLANO DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA

Já houve isso na PMES. Policiais, sobretudo os mais jovens, que não estiverem dispostos a cumprir as regras repactuadas por intermédio da Anistia, ou que julgam que  o salário que recebem não lhes obriga ao cumprimento regular de suas funções, devem receber um estímulo – alguma indenização – para deixar a instituição e levar suas habilidades e talentos a outros campos da vida profissional. É assim no mundo do trabalho. Não pode ser diferente no serviço público. Um policial militar – ou qualquer servidor público – cuja insatisfação seja incurável deve ter um estímulo para que a sociedade se livre dos serviços que ele presta – ou deixa de prestar!

PORTA DE ENTRADA     

Estabelecer uma única porta de entrada na PMES. Como Soldado. A partir daí é possível discutir a mobilidade na cadeia hierárquica. Mas se trata de uma postulação antiga, que terá, entre outros, o mérito de estimular o comprometimento dos jovens soldados a uma dedicação profissional e intelectual. Além disso, possibilitará uma formação mais completa dos oficiais, visto que irão comandar o cumprimento de funções sobre as quais terão conhecimento empírico.

RETORNO DE PROVAS INTERNAS  

Abolir a prova de acesso à graduação a Cabo, tornando retrospectivamente como mérito a nota obtida por Soldados durante Curso de Formação, é daquelas excrescências que insultam até a inteligência de Dilma Rousseff. Voltar com a prova é estabelecer o imediato entusiasmo de quem, por alguma razão, não pôde se dedicar satisfatoriamente à época do Curso de Formação de Soldados.

DEBATER O CHOA

Criado na escuridão do preconceito contra Oficiais que foram Praças  – os Oficias QOA – o tal CHOA foi “pensado” para favorecer uma parcela específica da PMES. Jogar a tal Lei na lata do Lixo é o primeiro passo antes de se abrir um debate maduro e transparente com todos os interessados. O curso de habilitação de Oficiais administrativos é importante. Os termos com os quais a Lei deve ser escrita não podem ser subproduto da pretensa genialidade de quem formula algo a partir de uma visão ultrapassada a respeito da cultura organizacional, ancorada em preconceito.

Portanto, é claro que estas observações não encerram a percepção deste blogueiro. Entretanto, considero que talvez seja um sensato ponto de partida. O resto – como questão salarial –  tratarei noutro post.

3 Comments

  1. Parabéns pela matéria da anistia, acho que na pmes deve entrar como soldado e ir até coronel e na pces de agente a delegado por cursos específicos, provas internas, e merecimento, bravura e antiguidade com todos os cursos exigidos , ressaltou bem o conhecimento empírico, abç claudio rocha claudinho investigador da dp de novo méxico

  2. errata: leia-se empírico e não epírico e leia-se parabéns e não parabésn.

  3. Rogério

    defender os concurso interno para cabo e sargento vai na contramão de um verdadeiro plano de carreira,vejo também como ultopia carreira única como porta de entrada soldado.

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