Educação

Polícia e Homofobia: uns querem uma Polícia sem gays, eu quero uma Polícia sem ladrões!

De todas as discriminações, suponho que o racismo e a homofobia estejam entre as mais abjetas. A esses tipos de discriminação se somam outras, que revelam nosso descompasso civilizatório. Ninguém escolhe ser gay. Ninguém escolhe ser negro. Ninguém escolhe ser branco. Explico-me.

Nas últimas horas circulou nas redes sociais a foto de dois policiais militares do Espírito Santo se beijando. Em seguida, surgiu a informação de que um teria tentado se suicidar, fato desmentido por um dos dois em um vídeo que também circulou nas redes sociais.

Em alguns anos de Polícia percebi que o ambiente da  PM é refratário à presença de gays. Nesse particular, suponho que o mundo policial e o do futebol se pretendam os mais masculinizados, a ponto de a presença de um gay constituir objeto de escárnio, menoscabo. Por vezes, testemunhei gays debochando de outros que eram mostrados na televisão. Deduzi que se tratava de um mecanismo de sobrevivência no meio dos machos.    

Os poucos que me conhecem sabem que não tenho qualquer vocação para membro de associação de policiais muito menos para sindicato dos gays. Mas, independentemente das interpretações primitivas a que este texto estiver submetido, desejo que as pessoas sejam livres e respeitadas nas escolhas.

Expor a intimidade de alguém sem sua autorização é um ato desumano, criminoso, cujas consequências podem ser trágicas.

Existe um interdito de certa moral medieval que sugere que a polícia não é lugar para gays. Eu entendo. Existem pessoas que realmente se preocupam com o que outras fazem entre quatro paredes. Como liberal, afirmo que se não envolver crianças, animais, nem contrariar a vontade dos envolvidos, que as pessoas façam o que elas bem quiserem. A minha intimidade me basta.

Quando um policial desfigurou o rosto de sua namorada (também policial) não vi tantas manifestações de repulsa. Escrevi sobre o assunto AQUI.

Não sou régua nem compasso para medir nada nem ninguém. Não me pretendo lamparina a clarear os labirintos escuros pelos quais caminham machos, fêmeas, homens e mulheres. O problema da Polícia não é o fato de haver gays.

Aliás, será que os mesmos machos que, num ato de coragem, expuseram a intimidade dos policiais homossexuais, seriam valentes o suficiente  a ponto de denunciar ladrões fardados, casos tenham conhecimento da existência desse tipo criminoso no meio da tropa? Não sei!

Por fim, cada um faz o que quiser com a própria vida. Respeitados os códigos legais, claro. Tenho amigos e parentes gays. E sei que eles não o são por escolha. Sim, a escolha não vale para tudo na vida. Interessa-me o cidadão, o caráter, o ser humano. Ser gay não é crime nem defeito. Ser ladrão e corrupto é.

Se eu pudesse escolher, eu não teria dúvidas: entre uma polícia sem gays e uma polícia sem ladrões, acho que o texto deixa claro qual seria minha escolha! Sou levado a admitir que, em se tomando metaforicamente a palavra “macheza” como expressão de coragem, eu diria que é preciso ser muito macho pra ser gay na Polícia!

 

3 Comentários

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