Educação

Policial militar tortura aluno em frente a uma escola pública no Espírito Santo!

Poucas vezes fiz referência às minhas atividades profissionais neste Blog. Já se foram cinco anos de Blog e, salvo engano, em apenas duas oportunidades fiz menção ao meu labor profissional. O fato é que não tenho o privilégio de viver do que escrevo. Mas também não vivo sem escrever. É o que penso.

patria-educadora-mauricioEstou 3º Sargento da PMES (ninguém “é”). Não é minha única atividade profissional. Mas é por meio desse exercício que me chega o pão. Exerço tal atividade com os mesmos princípios que exercia a atividade daquele vendedor de chup chup em que minha maravilhosa mãe me transformou aos doze anos. Nesse particular, sou um privilegiado. Comecei a trabalhar aos doze anos. O trabalho nunca me foi obstáculo ao estudo.

Sempre trabalhei e estudei. As páginas que já li na vida me permitiram certas curiosidades sociológicas. Eventualmente, empresto minha atividade profissional às curiosidades sociológicas que me desassossegam.  Nenhuma ilicitude nisso. É bom registrar aos energúmenos de plantão.

Pois bem. Na última semana, como de praxe, estive num policiamento preventivo na frente de uma escola pública, num Bairro da Região Metropolitana de Vitória -ES. Especificamente, no Bairro São Patrício, Escola Municipal Dom Hélder Câmara.

Como impõe a regra, chegamos alguns minutos antes de os alunos entrarem – em Escola Pública geralmente os alunos aproveitam os últimos minutos na frente da Escola. Sem falar dos que fazem do atraso uma regra diariamente respeitada.

Havia um grupo de alunos em frente à escola, alguns sentados outros em pé. Começamos a conversar. Conversa vai, conversa vem, perguntei a idade e séries deles. Tinham 13 e 14 anos e estavam no 8º ano. Perguntei se poderia lhes fazer um desafio. Todos concordaram, entre demonstrações de preocupação sadia e risos. Cada um estava com um celular aparentemente moderno nas mãos.

Perguntei ao primeiro: 8×8?

O silêncio reinou. O leitor pode até supor que pelo fato de a pergunta ser feita por um policial, fardado, gere algum medo. Não é o caso. Eu deixei o clima se tornar favorável e alguma confiança se estabelecer. A pergunta não recebeu resposta, a despeito do tempo que lhe dei para pensar. Parti para a segunda:

Quantos estados tem o País no qual você nasceu?

O aluno titubeou, fez caras e bocas! Em seguida perguntou:

No caso, o País é o Brasil, né?

Respondi que sim. Ele disse:

– Não sei!

Estava desistindo. Mas ele falou que poderia fazer a terceira. Fiz. Perguntei-lhe:

Qual o nome do Presidente do Brasil?

Ele riu feliz da vida, e respondeu:

– Lula!

Amigos, sempre me intrigou a posição do Brasil no PISA, o programa internacional de avaliação de alunos. Além disso, assusta-me também o fato de a educação das crianças ter andado para trás, a despeito da quase totalidade das crianças estarem matriculadas. Tenho um filho quase da idade dos garotos com os quais conversei. Jamais acharia alguma graça em algo tão grave. Como pai, acho que estou fazendo minha parte no que concerne à educação do meu filho. Mas um projeto de nação é muito mais complexo. O exercício que fiz já o faço regularmente. É entristecedor o que está se fazendo com a educação dos jovens brasileiros.

Reli a teoria da “profecia que se cumpre por si mesma”, (ou “profecia que se auto cumpre”), de W.I. Thomas. Sua síntese é: “se os indivíduos definem as situações como reais, elas serão reais em suas consequências”. Se eu perguntasse a algum dos garotos qual deles gostaria de ser médico, por exemplo, não haveria nenhuma resposta, simplesmente porque ser médico, engenheiro, diplomata, não existe na cabeça deles nem como componente de um sonho. Eles já se deram por derrotados. E o serão em suas consequências, como preceitua Thomas. A impossibilidade de sonhar é um outro tipo de morte.

Mesmo na escola pública, ainda alcancei um período em que professor tomava tabuada, exigia conjugação de verbos e quando a diretora (Dona Matilde) entrava na sala, todos se punham de pé, em sinal de respeito e oferecimento da cadeira para ela se sentar. Havia horário para entrar na escola. Cobrar horário hoje é considerado quase um ato de violência, enquanto a própria violência é considerada “normal”.

No quesito educação pública, a América do Sul já deixou o Brasil para trás. A disputa agora é com a África. Não se assuste com isso.

Quando meia dúzia de “gatos pingados” impedem mil alunos de estudarem, não tenha dúvidas: não há uma educação tão ruim que não possa ficar ainda pior. A “pátria educadora” foi só a marketagem vã a serviço de um projeto de poder. Os resultados estão aí. A fatura um dia virá. Todos nós pagaremos o preço!

Enfim, a metáfora com que intitulo este texto foi só uma brincadeira. Mas eu não vou achar estranho se algum pretenso educador tomá-la como verdadeira e, assim, acreditar que este brasileiro realmente torturou adolescentes em frente a uma escola pública ao lhes dirigir perguntas tão elementares. Seria uma outra forma de revelar a miséria mental que nos rodeia. E com isso me dar razão no que se refere à gravidade do problema!

 

Por Maurício Reis de Sousa

 

6 Comentários

  1. Alessandro

    Grande professor Maurício…👍

  2. Claudia Bispo

    É por esse e outros guerreiros que SUSTENTO toda a impunidade e covardia que fazem e fizeram com os seus familiares incluindo eu,como mae de um bravo guerreiro). Nao sao meros guerreiros. Sao pessoas que convivem diariamente com os que vivem a margem de uma sociedade hipicrita e um País sem lei. #brasilsembrasão

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