Cultura, Educação

Redação da FUVEST privilegia a inteligência!

Leio sobre o tema de redação do mais importante vestibular do Brasil, FUVEST, e percebo que a Fundação confirma por que é o mais importante vestibular do Brasil. O Tema veio em forma de pergunta. Foi ao ponto nevrálgico da polêmica  ao perguntar o candidato sobre os limites da arte. Ainda que possa divagar por reflexões filosóficas, o candidato não pode deixar de responder à pergunta.

Foto/Estadão

Consta que o enunciado da redação trouxe quatro textos sobre casos recentes envolvendo as artes visuais. Leio no “Estadão” que “a prova citava a exposição Queermuseu – Cartografias da Diferença da Arte Brasileira, fechada no ano passado pelo Santander Cultural de Porto Alegre após críticas, a instalação “Bandeira Branca”, de Nuno Ramos, que foi retirada da 29ª Bienal de São Paulo, de 2010, por confinar três urubus, e as obras do inglês Marc Quinn, que utilizou 4,5 litros do próprio sangue na escultura Self”.

Poucos temas na civilização são tão controversos quanto arte. O Brasil, que se mostra a cada dia mais chato e careta, da esquerda à direita, fica sempre propenso a situar o debate sobre arte no âmbito dos espectros políticos. Eis um sintoma de nossa pequenez. Por aqui um poeta parnasiano morreria de fome, posto que para ele o sentido maior da arte era a exaltação da própria arte.

No Brasil de Lula “arte” é “combater a fome”.  No Brasil de Bolsonaro, “arte” é “combater a violência”. Ou seja, se fôssemos um país sem famintos e sem tanta violência, provavelmente o cardápio político seria outro. Ambos são sintomas de nosso estágio civilizatório.

No meio do caminho, o jornalixo brasileiro tenta mostrar que se um é corrupto, o outro deve ser também. Nada tão atrasado quanto achar que todo político ruim é necessariamente corrupto. Lula já está provado. Até que se prove, Bolsonaro é, no máximo, suspeito.

Assim, a análise política brasileira, com raríssimas exceções, tem a profundidade de um pires. Essa baixeza é dispensável na perspectiva sugerida pela FUVEST para falar de arte. A arte segue seu caminho, para muito além das linhagens políticas que monopolizam o debate. Aqui no Brasil, é muito comum nas leituras da obra 1984, a fantástica distopia de George Orwell, o “debate” segundo o qual a obra seria de esquerda ou direita.  Na prática, o que o grande escritor faz é tecer uma crítica a qualquer forma autoritária de poder, cuja existência se traduz na subtração da liberdade, com fortíssima vigilância, O Big Brother.      

Ora, arte é liberdade, é uma prova de que a vida tal como ela é não nos basta. Arte é criação, é imaginação. Arte é abstração. Desgraçadamente, no Brasil tomou-se como arte uma mulher defecando sobre a foto de um político, sobre a qual escrevi em: Feminismos, Feminazis, “Culhões”, Fé e Política: minha resposta a Ivina Langsdorff! Ou um marmanjo sendo tocado por crianças sob olhar cúmplice e encantado das mães das crianças, escrevi AQUI. Ou ainda um grupo de “jovens” que emporcalham a cidade, como se a cidade fosse EXCLUSIVAMENTE deles, também escrevi AQUI.

Ora, no meu sistema de valores não reconheço limites para a arte. Se houver limites, arte não é. Mas no mesmo sistema de valores não reconheço qualquer coisa como arte. Afinal, se tudo é arte, nada é arte. Deve haver um interdito não estatal capaz de definir não os limites, mas uma definição aceitável do que seja arte. Nem toda nudez é sexualizada, como escrevi. Mas nem toda nudez não sexualizada pode ser arte. Fundamentalmente, mais importante do que a marcha de quem tenta proibir a exposição “artística” que eventualmente choca, é rebater tais expressões com outras manifestações “artísticas”. Ou seja, se existe arte como problema, a solução dependerá sempre de mais arte.  Buscar solução de tais conflitos por meio de ação do estado é apenas a confirmação de que Auschwitz realmente é logo ali.      

7 Comentários

  1. ANTI-HARTUNG

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