Segurança Pública

Sargento Próspero, missão cumprida!

O filósofo espanhol José Ortega y Gasset (1883-1955) afirmou que “o homem é o homem e a sua circunstância”. Noutras palavras, o homem é o que ele faz da vida. Ou seja, o homem é aquilo a que ele se presta.

A Polícia Militar não é – nem se pretende – uma ilha de excelência no oceano institucional brasileiro. É uma instituição que traduz virtudes e defeitos da sociedade da qual é expressão.

Mas, com seus valores, instituições militares criam códigos (não necessariamente escritos) que fortalecem o ethos da profissão, de maneira que só alguém que conhece por dentro o ambiente militar possui as credenciais indispensáveis ao bom testemunho.

Nem todos que ingressam na PMES permitem que os valores basilares da instituição (disciplina e hierarquia) sejam regentes de suas condutas. Mas há profissionais que fazem desses valores uma verdadeira filosofia de vida. Eis o caso.

A PMES, neste 29 de março de 2019, acolhe na reserva remunerada um dos profissionais que mais exemplarmente vestiu a farda. Sim, vestir farda é diferente de usar!

Dário Domínio Próspero, 1º Sargento da PMES, da 14ª Cia Ind, poderia em sua homenagem ganhar um livro. Não é este o objetivo aqui.

Com mais de 31 anos de serviço, Sargento Próspero (na foto, entre o Major Carvalho e a Tenente Selma) sempre foi a junção da modéstia com a absurda dedicação. Próspero nunca quis ser o melhor em nenhuma das funções que desempenhou. Mas em todas deu o melhor de si. E com sua conduta ilibada, com seu caráter exemplar, ajudou a fazer do Espírito Santo um lugar menos violento.

Sua dedicação o levou ser destaque operacional entre todos os policiais militares do Espírito Santo. Pelo feito, foi homenageado pela instituição e pelo governador do Estado.

No serviço policial desempenhou quase todas as funções inerentes à sua graduação. Seu nível de dedicação nem sempre foi bem compreendido. Pode ter desagradado um ou outro em seus 31 anos e três meses de serviço. Mas nunca o faria por má-fé. Sua dedicação à causa que voluntariamente abraçou na juventude justifica as cobranças legítimas que sempre fez. Nunca cobrava de um subordinado mais do que aquilo que ele mesmo se propunha a fazer.

Pessoas insuspeitas prestam os melhores depoimentos sobre o Sargento Próspero. Nas palavras do Sub Ten Braga, da Força Tática do 6º BPM:

“Trata-se de um grande amigo. Tenho uma admiração fora do comum por ele. Excelente profissional, que viveu para a PMES de forma intensa”

Outro amigo, quase irmão de Próspero, não deixaria de fazer um registro. Trata-se de um também 1º Sargento, Pedrosa:

“Eu tenho a admiração e o respeito de um verdadeiro irmão. Não é de farda somente, mas de sangue. Foram vários anos trabalhando juntos. Nesse período, ele me ensinou praticamente tudo em relação ao serviço policial em si e me ensinou também como ser humano. Ou seja, meu sentimento sempre foi e será de admiração pelo Dário, que tenho como exemplo de vida”.

Por fim, o homem é aquilo a que se presta. Mas, ao falar da vida, o gigante Guimarães Rosa sugere que, qualquer que seja o caminho pelo qual se pretenda caminhar, há uma virtude sem a qual o resultado será o fracasso. Disse Guimarães Rosa:

“Ela (a vida) é assim: esquenta e esfria; aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta, o que ela quer da gente mesmo é coragem”.

Sim, Sargento Próspero sempre teve coragem para manter uma conduta profissional ilibada. Por isso mesmo, com a consciência tranquila  e a cabeça erguida, agora na reserva, poderá olhar para esposa e as duas filhas e dizer:

Missão cumprida! 

1 Comment

  1. Ariane

    Ótima homenagem! 👏👏

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