Segurança Pública

Serra, uma cidade partida!

Houve um tempo em que se falava em construções desordenadas em espaços desordenadamente ocupados na Serra. Felizmente, isso hoje existe apenas de forma residual.  A cidade, a despeito de tudo, conseguiu um padrão mínimo de ocupação dos espaços de crescimento.

Entretanto, agora existem as construções legais desordenadamente ocupadas. O exemplo mais claro é o Condomínio Ourimar, ao lado de Manguinhos. Trata-se do maior fracasso habitacional de que se tem conhecimento no Espírito Santo. Ainda vou voltar ao triste assunto.

A cidade já era partida bem antes de Ourimar. Mas o tipo de ocupação que se deu no Condomínio em questão agravou os problemas de uma parte especial da cidade, o Balneário de Manguinhos.

A Serra tem sido mau exemplo de governança, sobretudo porque não mensura os impactos das ocupações sobre outras áreas da cidade. Desde o início da ocupação de Ourimar os problemas de segurança pública têm apresentado demandas específicas na região.

Não vai aqui um olhar contra a parte de trabalhadores que lá habitam, mas uma reprovação individual a um jeito populista de governar a cidade, a partir do qual se supõe como possível a harmonia entre pessoas com histórico de conflitos interpessoais e com a Lei. Ourimar é um problema sério. Atribuir à PMES a missão de “solucionar” tal problema é um devaneio político.

Não faltam esforços da PMES para inibir os crimes. Mas é sabido que há um limite à atuação da PMES. Afinal, a Polícia não é onipresente, onisciente. Além disso, há uma reserva de competência para a ação da PMES, determinada por Lei.

A experiência internacional consagra que uma concentração de pessoas com problemas torna o ambiente em que elas se encontram “autocombustão”. Pelo mundo desenvolvido, esse modelo de “moradia popular” já é reprovado há muito tempo. Na verdade, “espalhem-se” os “potencialmente problemáticos”, que assim se reduz seu potencial ofensivo.

Resta evidente que, dispersos, os diversos criminosos que habitam Ourimar têm potencial reduzido; juntos, entretanto, representam perigo uns aos outros e, sobretudo, ao entorno do Condomínio.  Eis aqui uma obviedade cujo entendimento não encontra ancoragem no populismo, no sebastianismo, muito menos no esquerdismo de pequenas comportas.

Na última madrugada, um indivíduo foi assassinado em Manguinhos. Uma mulher também foi gravemente baleada no rosto, além de um terceiro. Crimes que poderiam ocorrer com ou sem Ourimar no entorno.

Mas o tipo de ocupação que se deu no Condomínio aumentou a incidência de alguns crimes na região. Ainda que não haja qualquer relação entre os crimes da última madrugada e o Condomínio, é fato que rediscutir a permanência do modelo que levou à ocupação dos apartamentos do Condomínio Ourimar se tornou uma urgência para a cidade. Será uma demonstração de  respeito aos trabalhadores que lá habitam, aos trabalhadores do entorno e a quem apenas eventualmente visita a cidade.

Mais: em respeito ao presente. E pela necessidade de um futuro melhor para a cidade toda.

O corpo da vítima, jogado ao lado de uma placa de publicidade – de tantas que enfeitam a cidade – , constitui um emblema, uma negação da fraude. Estabelece um limite ao poder da propaganda.

É uma mensagem macabra, a nos indicar que não basta uma placa para se fazer uma cidade melhor. É preciso coragem para se reconhecer quando houve erro.  

Uma cidade não se faz apenas por meio da boa criação publicitária. Amar a Serra talvez seja fácil. Mas amar a verdade não parece tão simples!

2 Comentários

  1. Otimo conteudo nesse site. Abraço e muito sucesso.

  2. Quanto conteúdo de qualidade nesse site. Obrigado por compartilhar. Abraço

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